Quando o luto sobrevém

Faz algum tempo que vi o filme La Délicatesse (A delicadeza do amor) estrelado pela atriz francesa Audrey Tautou. Após três anos de luto do marido François, Nathalie conhece Markus em um momento de sua vida em que ela havia se esquecido de si e focado totalmente no trabalho.

Foram três anos de memórias vívidas, de ferida aberta, de muita dor, lágrimas e solidão, até que a cor de um novo amor bate às portas da alma de Nathalie. É muito difícil pensar na finitude de seres que amamos tanto, que um dia não estarão mais conosco, em presença física.

Essa convivência com as lembranças, essa aceitação da dor e a compreensão de que algum dia, que não se sabe como, as coisas vão se tornar mais suaves, de que será possível sorrir ao lembrar, de que as lágrimas darão lugar a sorrisos, a lembranças que despertarão cores na alma.

A desesperança dói e talvez seja a razão do profundo sofrimento, porque a morte é um ponto final grosseiro de uma vida que se está acostumado a conviver em vida, não se imagina que depois de um final, pode haver recomeço.

A cena que mais me emocionou no filme foi da Nathalie em uma festa ao som da música de Émilie Simon (Franky’s Princess):

Franky!
I’m not scared
I know that you’re gone
but I’m still here

E nesse momento, Nathalie dança com toda a alma, com todas as lembranças, mas agora, ela entende que precisa viver com tudo aquilo que ficou daquele amor com François em sua alma.

Escrevo com uma dor que não é minha e sei que é preciso deixar isso registrado aqui.

Um dia, depois de todas as lágrimas, das infindáveis voltas na lembrança, depois de todo o esforço para que nada se apague, a alma te dirá estrondosamente que nada se apagará, e sabe por quê? Por que sentimentos são, além de toda a razão, além da vida, para toda a eternidade.

O luto é inevitável, é difícil, é dolorido, mas de um jeito que não se explica, tem um tempo. O amor é a única razão de se existir e ele filtra a dor, de maneira que o que fica na alma é um quê de eterno, de intocado, de singular. A alma vai te dizer quando for o tempo de ressuscitar da dor.

 

Marina Person

Esse texto poderia ter outros títulos, como Califórnia, filme dirigido pela Marina Person, mas em tudo que vi do filme, em todo diálogo, em cada música, em cada sorriso tímido da Estela, em cada minuto de filme, foi a Marina Person que vi, que ouvi, que relembrei.

Das Vjs da MTV, a minha favorita era a Marina Person. Por quê? Talvez porque ela fosse garota em corpo de mulher, tinha trejeitos de adolescente, não por meninices, mas era como se personificasse um misto de adolescente com mulher, em tempos de descoberta, e assim, eu fazia parte do público da Marina.

Via Meninas Veneno como se fosse um encontro marcado, escondido, desses encontros com amigas, que ninguém conta aos pais, para falar de tudo, de paixão, de sofrimento, de tristeza, de decepção… E o filme Califórnia é essa efervescência da adolescência e que de alguma forma também se traduz em um clamor da alma pela efervescência como ser humano, pelo sentido, pela busca por respostas.

A Estela lembra bastante a Marina, e a trilha sonora obviamente leva à Marina, aliás, o filme todo leva à Marina Person, ao mesmo tempo em que uma história ficcional é contada, a história real, bem carregada de ficção e fantasias veio à mente da espectadora.

O menino dos cabelos bagunçados, as amigas mais extrovertidas, o carinha mais bonito e popular, que não era tão legal assim… A trilha sonora, The Smiths, Bowie, The Clash… e toda a atmosfera das paixões, medos e porquês. Interpretação maravilhosa de Clara Gallo e Caio Horowicz… eram tão a minha adolescência!

Poderia ter tantos nomes esse registro textual, mas quero deixar assim, com esse título Marina Person. Na minha adolescência ela era a minha referência de que tipo de mulher adulta eu gostaria de ser, mas a Marina é ímpar, e eu também desejava ser ímpar assim.

Marina Person, como diretora, você é tão verdadeira quanto apresentadora ou como Marina Person (risos). Conseguiu me mostrar o sonho da Califórnia e uma realidade tão mais eufórica e efervescente em terra nacional!

Santa Leitura: Uma Biblioteca a Céu Aberto, de Belo Horizonte, MG

 

 

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Santa Leitura: Uma Biblioteca a Céu Aberto é um projeto idealizado por Estella Cruzmel e nasceu por uma necessidade da artista plástica, que desde 1997 trabalhava com moda, e ao montar a sua loja, decidiu se envolver com a leitura ao mesmo tempo em que oferecia um agrado aos clientes.

Peguei uns 50 livros que eu tinha em casa, comprei mais alguns e montei uma biblioteca dentro da loja com uma estante do lado de fora, onde as pessoas que passassem pela rua pudessem ler. Todos os dias tinha o jornal com notícias fresquinhas. Rapidinho a notícia foi se espalhando, e não demorou muito, tinha gente de outros bairros pegando livros emprestado, relata Estella.

Para ela, o mais importante foi o público infantil que adotou o espaço como ponto de leitura, surgiam na loja depois do horário da aula e passavam na biblioteca. Esse interesse das pessoas pelos livros, principalmente das crianças, fez nascer em Estella um desejo de trabalhar apenas com os livros, e em 2012, ela fechou a loja para se dedicar ao universo da leitura.

A magia da leitura atuava sobre a pequena Estella

Estella nasceu e cresceu em uma fazenda no interior de Minas Gerais, e sempre teve muitas dificuldades com a leitura, principalmente com  o acesso aos livros.

A gente não tinha nem vizinhos para troca de experiências, quanto mais livros! Tive uma infância feliz apesar de tudo. Meus pais passavam muito amor e companheirismo, isso me ajudou bastante. Vim pra Belo Horizonte, casa da minha vó pra estudar, já estava com 10 anos. Nessa época comecei a ver um livro na mão da professora, me lembro mais ou menos que o livro chamava Lalau, Lili e o Lobo, já procurei pra comprar, mas não achei. Depois o contato foi com A canção dos tamanquinhos, da Cecília Meireles, conta.

O contato de Estella com os livros até então era apenas visual e auditivo, os livros eram lidos pela professora, depois de um tempo, ganhou a sua primeira obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos e o leu algumas vezes no decorrer da vida. Ficara impressionada com a retirada daquela família para fugir da seca e com a necessidade de ter que matar um papagaio de estimação para sanar a fome:

Me lembro de O Ateneu, de O Escaravelho do Diabo… A partir do momento que comecei a trabalhar com livros, passei a ver que não há nenhum outro caminho para a liberdade, para o crescimento individual e do nosso país. A leitura nos leva  para um mundo melhor. Hoje, quando estou realizando o evento eu me pergunto por que naquela época não existia gente pra levar para as crianças alguns momentos lúdicos como esse do Santa Leitura.

Como funciona o projeto Santa Leitura: Uma Biblioteca a Céu Aberto?

O projeto acontece em Belo Horizonte, Minas Gerais, sempre ocorre em lugares abertos, preferencialmente em praças públicas, que segundo Estella, proporcionam um ambiente democrático em meio à natureza:

Com  centenas de livros espalhados pela praça em estantes e passarelas, várias atividades são realizadas durante as manhãs de domingo, dentre elas, a contação de histórias, oficinas, poesias, entre outras.

O projeto Santa Leitura tem parceria com o pároco Márcio Ribeiro de Souza, da igreja do bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte.

Fiquei na praça Duque de Caxias em Santa Tereza durante cinco anos, o padre além de me auxiliar com campanhas para doação de livros, também anunciava durante as missas de sábado e domingo. O maior problema do Santa Leitura sempre foi o livro infantil, quase não conseguimos doação. Conto também com a Cléo Zocrato do Edifício Maletta, ela é responsável pelo Santa Leitura do bairro Floresta, em que são colocados 10 livros por dia no banco da praça Salvador Morici, para doação.

Estella conta que também são parceiros do projeto, os contadores de histórias, oficineiros, poetas, seus vizinhos, etc.: “O projeto não caminha sozinho, é uma equipe. Conto também com a parceria da Ana Neres e padre João, da Comunidade Sagrada Família, do bairro Novo Taquaril, que me cederam o espaço pra fazer o evento e guardar o material usado”,

Autores favoritos de Estella e Vidas Secas sempre significando a sua vida

Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Machado de Assis e Graciliano Ramos, estão entre os seus autores favoritos. Vidas Secas é a obra que marca a vida de Estella no presente. Quando leu a obra, imaginava apenas o povo nordestino como retirantes, mas hoje, vê o povo da Síria, Colômbia e até o jovem brasileiro que sai de seu país em busca de melhores oportunidades.

WhatsApp Image 2018-06-13 at 11.26.32No dia 22 de julho, Estella Cruzmel lançará um livro infantil, O nascimento de Benjamin, pela Páginas Editora, na Casa Fiat de Cultura. Ela conta que o livro a faz lembrar de Vidas Secas e da saída de sua filha do Brasil, a princípio para um curso de intercâmbio de seis meses, mas que se tornou definitiva, resultado da busca por melhores oportunidades: “O Brasil e o mundo é isso, uma grande retirada de Graciliano Ramos”.

Estella cita O Alienista, de Machado de Assis como um livro importante para ela, por tratar das questões do outro.

O que pode mudar a realidade da leitura no Brasil?

Estella acredita que inicialmente o que é importante para o incentivo da leitura no Brasil é o interesse por parte dos governantes, já que essas ações são parte de políticas públicas em torno da Educação e Cultura:

Somos um país de analfabetos. Não estou nesse projeto à toa, tenho lutado pra levar livros ao maior número de pessoas. O brasileiro, ao contrário do que todo mundo pensa,  gosta de ler sim, mas não está tendo dinheiro pra por nem comida na panela. Não falo desse povo que viaja, vai ao teatro, cinema, restaurantes bons, não! Eu falo da periferia,  daqueles que levantam cedo pra  trabalhar o dia todo e trazer comida pra dentro de casa. Esses não têm acesso a nada, é pra eles que temos que trabalhar, a maioria. Só assim podemos ter um país desenvolvido, a leitura enriquece o vocabulário, abre portas.

Estella se menciona como exemplo: “Conheci um livro em idade avançada e até hoje sofro as consequências. Penso que tem duas coisas que todo bairro deveria ter para preparar as crianças, – uma praça de esportes e uma biblioteca ao alcance das crianças –, para que elas não venham a cair no ócio e a fazer besteiras”.

Como doar para o projeto Santa Leitura: Uma Biblioteca a Céu Aberto

Atualmente, o projeto está recebendo apenas literatura infantil.

Há um posto físico de coleta na Pizzaria Giovanni, no bairro Floresta, em Belo Horizonte.

Estella Cruzmel também pode ser contatada pelos telefones: (31) 3425-7572/99752-6952

Fanpage do projeto Santa Leitura: Uma Biblioteca a Céu Aberto

 

 

 

 

Com toda a alma

Escolha, escolha, escolha… Poderia ter escolhido o caminho mais fácil, menos doloroso, o caminho com menos questionamentos, mas escolhi viver na busca por sentido, em fazer dessa vida, que é um privilégio, algo grandioso. E claro, que seja grandioso aos meus olhos, que tenha sentido para a minha alma.

Sem certezas, que meus sentidos me salvem. Sem qualquer altivez, que as minhas limitações me despertem. Quero seguir o instinto, quero ir em busca daquilo que me busca. Quero ser alcançada pelo que está acima do meu eu, de minhas limitações. Quero ser alcançada por mistérios invisíveis.

Quando era criança, escrevi em uma velha sulfite que sabia que jamais alcançaria a perfeição, mas que poderia chegar perto dela. E sabe o que é mais incrível? É que o fato de estar inacabado como condição, a certeza da imperfeição, é aquilo que salva a alma, que torna a vida – de cada humano – a vida, com todos os ziguezagues, imprevistos, relevos…

Quero ser conduzida pela arte, porque até então, é a única que tem me dado chances, a única que tem arriscado, com todo ímpeto, e apostado na minha alma. Desejo me entregar à arte, porque é a única que tem inebriado a minha alma, de maneira que me faz sentir que é exatamente o que posso fazer, pelo meu eu e no universo.

Quero ser guiada pelos mistérios da arte. Quero ser tomada, resultado de uma entrega deliberada… é o primeiro pulo que dou sem medo. É o primeiro passo que dou rumo ao desconhecido – com toda a minha alma.

Com muito esforço tenho me libertado de muitas amarras, mas a mais resistente é a pequenez, porque a medida entre brilhar e viver na escuridão é perigosa e envolve um ato importante – o de se enxergar, de ver as limitações, mas ao mesmo tempo não se prostrar diante da própria limitação e podridão carnal. A pequenez não pode ser um escudo, mas uma constatação natural humana, e não limitante para o  ato de ser um ato no mundo.

Sou um ato, entendi isso. A arte é a ferramenta que me escolheu, de uma maneira que não sei como, mas me chama para ser ato. A minha alma, não sei como, será palco para atos e também não sei como ouso afirmar no futuro, mas eu deixarei que isso aconteça.

É na primeira pessoa o texto e isso não quer dizer que não possa ler como primeira pessoa, para si, sendo você. Pode ser que te faça tanto sentido como está fazendo para a minha alma nesse momento.

Com toda a minha alma é o que me proponho na vida como ato. Com toda a minha alma. Com todas as minhas forças, anseios, até dúvidas. Com tudo o que estiver presente na minha alma e com o que está e estará inacabado até o fim de meus dias, com toda essa alma, eu vou.

 

Mais do que uma mulher

Tenho refletido cada vez mais sobre a singularidade do ser humano, sobre o toque único, sobre o que torna um humano insubstituível. Talvez você não se lembre tão bem de Stephanie Mangano, personagem interpretada pela atriz Karen Lynn Gorney em Os Embalos de Sábado à Noite. Mas eu te trago hoje uma boa razão para se lembrar dela – era mais do que uma mulher. E sim, estou parafraseando a música More than a Woman…

tumblr_onbo3oZdE01qmob6ro1_400Por que era mais do que uma mulher? Stephanie sabia sobre quem era, sabia sobre o que fazia a sua alma vibrar – a dança – e sabia que sua participação no mundo não se limitava a aparições rotineiras nos lugares mais badalados, sabia que a sua participação no mundo era maior. Não fazia a menor questão de agradar, não queria ser como ninguém, apenas ela mesma. Não havia personagem, Stephanie era o que era.

Mais do que uma mulher, mais do que um homem, mais, muito mais do que as suas limitações humanas te impõem. Acredite, o órgão sexual, a nossa condição biológica está aquém de nossa essência humana, não é isso que nos torna quem somos, ou que nos concede poder como seres humanos. O que nos torna gente, seres humanos de verdade é a nossa consciência sobre nós mesmos no mundo, é para ir em busca dessa consciência que a vida existe.

Stephanie era um tanto misteriosa, antipática, talvez exalasse até uma falsa soberba, mas não era mistério algum para si mesma, era apenas um ser humano, único, desses que são lembrados não como uma mulher, como um homem, mas desses que são lembrados pelo nome, que carregam uma singularidade que não cabe em padrões sociais ou até mesmo biológicos. Não cabe nem na prisão de ser personagem.

Mais do que uma mulher. Mais do que um homem. Mais do que um sexo biológico. Cada humano tem uma marca, um caminho a percorrer e uma razão que pode transcender o tempo.

Quando você entende a pegada do Reggae

Talvez esse nem seja um dos seus ritmos favoritos, como não era o meu… Mas acredite, se chegar um dia e você ouvir um Reggae, e entender que a cadência de ritmo ‘repetitivo’ entrou no entendimento, então, meu amigo (a), você está no vale da sombra da morte. Sabe que vale é esse? É quando aquilo que não é importante e nunca foi, é quando suas bobagens vão uma a uma morrendo e sendo supridas por um desejo de algo grandioso que sequer cabe no peito.

O dia em que sua alma dançar dentro do seu corpo, é o dia de almejar voos sem destino por aí, neste Universo grandioso e infinito. É hora de definitivamente jogar boa parte das velhas teorias fora e passar a seguir a grandiosidade do que é sentir.

Quando sentir uma vontade de gritar e de cantar, mesmo sem o talento da música, ou quando os seus pensamentos começarem a querer te levar por caminhos nunca percorridos antes, é hora. Hora de levantar voo.

I don’t wanna wait in vain for your love… Sabe por quê? Porque não é o amor do outro, é o amor que está aqui, dentro da minha alma, um amor que está aqui pelo meu eu e por aquilo que vale muito a pena suspirar.

Que a pegada do Reggae entre algum dia em seu entendimento. Que um dia, próximo, você chegue a um ponto em que os limites mentais sejam um a um esmiuçados e que sua capacidade mental seja provada, provada, provada, lapidada, para que algum dia, brilhe em uma cadência de ritmo equilibrado que guarde espaço, infinito espaço para grandes canções de liberdade. Estou na espera por esse dia…

Que o pensamento seja como música intensa e constante… Que a alma chore, chore quantas vezes sentir necessidade de lavar-se, e que em cada limpeza, consiga enxergar com clareza a beleza de ser único que é. See? I don’t wanna…

Álvaro com cor

❤ ❤

Barasa Plutônica

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Álvaro com seus quatro anos de idade e com um universo tão gigantesco em uma imaginação às vezes tão assustadora pensa sobre o que ouve, sobre as palavras que são soltas em sua mente.

Com suas tintas, lápis de cor, giz de cera, ele tenta todos os dias reproduzir uma imagem que lhe traga uma sensação, mas que sensação seria essa? Que sensação, afinal, ele tanto buscava em suas pinturas?

As cores eram a sua obsessão, vê-las juntas era como se deparar com o oceano e debaixo d’água não saber ao certo para onde olhar.

Quando ele via aquelas cores juntas, lhe surgia um sentimento inexplicável, ele não sabia se sentia raiva, alegria, tristeza ou vontade de se esquivar. Bisteca, sua companheira vira-lata, sempre ouvia um resmungo ou outro em voz infantil  — Nã…. Não é isso!

Sempre que ele saía do banho, sua mãe lhe olhava com um brilho…

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Nós não somos classificáveis! Não mesmo

Gostaria de começar esse texto falando sobre a busca por ser quem é, mas considerando sempre melhorias, até que se chegue a um ponto, que mesmo após enxergar-se com as imperfeições humanas inerentes, consiga afirmar dentro de si: esse (a) aqui sou eu!

Que se chegue a um ponto em que agradar o outro ou pensar no que o outro vai pensar se torne a segunda parte do processo de reflexão, e que o primeiro, o sumo da reflexão, esteja em como é que você encara a si, e como você, com a sua verdade, deve encarar uma situação.

Que se chegue a um ponto em que o conceito de egoísmo seja repensado dentro do seu contexto. Você se colocar em primeiro lugar é parte da empatia, sabia disso? Você testa em si uma maneira tua de ser e de se enxergar, que vai salvar as almas que fazem parte do seu cotidiano, de pesares, como de terem de ‘aturar’ o teu fardo de ser, que é apenas seu.

Que se chegue a um ponto em que a autoimagem seja importante no sentido de que ultrapasse totalmente a percepção física, esse físico efêmero que engloba o avanço do tempo, o envelhecimento de um corpo físico, que caminhará rumo à plena debilidade e inexistência.

Você está além do seu corpo físico, está além de estatísticas, está além de classificações… Mas entenda, isso não te dá o direito de ser covarde consigo inflamando o próprio ego ou achando que o mundo é obrigado a aguentar as suas imperfeições porque ser imperfeito é parte do que é ser humano.

O ser ‘inclassificável’ ao qual me refiro, é no que diz respeito a ser único. Sabe aquela história de que todos são substituíveis? É mentira. Alguma coisa você pode fazer aqui, nesse planeta, de um jeito só seu, se você aqui não fizer o que precisa fazer, para o seu ser humano ser íntegro no que diz respeito a usar todas as capacidades que lhe foram concedidas, alguém obviamente desempenhará o seu papel, mas não como você faria, não com a sua essência.

Poderia não ser brasileira, poderia ser americana, ter nascido no norte dos Estados Unidos, poderia ter escolhido uma carreira completamente diferente por um contexto social e cultural diferente do que vivo aqui no Brasil. Mas foi aqui que nasci, nesse país maluco e ao mesmo tempo desafiador, se não fossem as dificuldades, se não fosse o contexto social e cultural ao qual pertenço, eu não teria escolhido os caminhos que escolhi. Sou quem devo ser, exatamente onde estou, e é daqui, desse lugar, desse território brasileiro que me farei ouvir. Por que me ouvirão? Porque jamais negarei as ferramentas que me foram emprestadas. Se podemos fazer algo grandioso, por que não fazer?

Quer irradiar? Irradie. Escolha. Comece. Entenda que existe uma missão. Não é para respirar somente que existimos. Não admito viver nessa Terra se não puder deixar algo aqui. Não admito viver aqui sem ser de fato. Prefiro a morte agora a não fazer aquilo que sinto que preciso fazer.

Está com muitas dificuldades em equilibrar os pensamentos? Talvez uma ajuda especializada seja o mais recomendado agora. Estou falando por experiência própria. Terapia é essencial, fundamental e não é ‘gasto à toa’ jamais. Pensar na saúde mental deve ser prioridade.

E sabe o que mais deve ser prioridade? Tentar encontrar o que te faz feliz, o que te completa, e mais do que isso, dar um passo para que algo maravilhoso comece a acontecer.

 

Quais os reais benefícios da leitura para o cérebro?

Além da capacidade de transportar o ser humano para diferentes universos, os benefícios da leitura para o cérebro são cientificamente comprovados. De acordo com matéria publicada pela revista Galileu, foram listados alguns dos principais benefícios da leitura para a saúde:

Aumento da empatia – Não importa o tipo de narrativa, um livro, independentemente de gênero, é capaz de aumentar a empatia em quem lê – essa foi uma descoberta publicada no periódico Trends  in Cognitive Sciences  – que apontou que a leitura é capaz de despertar em quem lê a compreensão sobre os sentimentos dos outros, principalmente quando ocorre envolvimento emocional com circunstâncias e personagens.

Aumenta a criatividade – Já segundo estudo publicado pelo Creativity Research Journal, foi mostrado que após o contato com uma obra de ficção, as pessoas tendem a se sentir mais encorajadas a analisarem situações sob inúmeras perspectivas, o que faz com que passem a enxergar muitas possibilidades em seu cotidiano.

Pode reduzir preconceitos – Quando um leitor aprende sobre o universo de outras pessoas e personagens, tende a vencer preconceitos enraizados em si mesmo.

Reduz o estresse – Em pesquisa publicada em 2009 pela Universidade de Sussex, foi provado que apenas seis minutos de leitura já ajudam na redução de 68% dos níveis de estresse. Participantes do estudo tiveram diminuição na frequência cardíaca e alívio na tensão muscular.

Reduz os riscos de desenvolver Alzheimer ou demência – A leitura é um poderoso estimulante mental e segundo pesquisa publicada em 2013, pelo jornal Neurology, foi provado que pessoas que leem assiduamente, após a vida adulta, têm as faculdades mentais preservadas por mais tempo.

Biblioterapia – Sabia que este é um tipo de terapia? Trata-se da indicação de leituras terapêuticas que atuam na redução do estresse e no tratamento de doenças como a depressão ou de algum desequilíbrio emocional.

Agora que você já sabe sobre os importantes benefícios da leitura para a saúde, por que não introduzir esse hábito no seu dia a dia? Escolha um livro de um tema que lhe agrade, pode ser ficção, não ficção, uma autobiografia sobre alguém que admire ou que tenha curiosidade em conhecer mais…

O escritor francês Marcel Proust diz que ‘a leitura é uma amizade’ e isso tem profunda relação com o vínculo que se cria a partir da leitura de um livro. Muitas vezes, você pode começar a ler uma obra sem qualquer pretensão, e de repente… se encanta com algum personagem, seja pelas semelhanças ou diferenças. É possível criar simpatia, empatia e até desprezo por alguns personagens. E sabe o que é mais mágico em tudo isso? É que como leitor (a), a relação que se estabelece com uma obra é única. Os personagens terão em seu imaginário características únicas, que não serão iguais às características no imaginário de outro leitor da mesma obra.

Já o autor americano Thoreau certa vez disse que ‘muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro’, e sim, dependendo da obra e do envolvimento que se estabelece, aquela mensagem ecoa dentro da alma e alguma transformação maior pode se dar no cotidiano do leitor, ainda que não perceba exatamente que foi aquele determinado livro que o inspirou. É como fazer o uso de um medicamento homeopático sem muita crença nos efeitos, e de repente, perceber alguma melhora.

Saramago acredita que ‘a leitura é, provavelmente uma outra maneira de estar em um lugar’, e claro, ao ler um livro é possível estar em qualquer lugar do mundo, há quem refute essa ideia, mas é que a viagem que se faz dentro de si é muito mais transformadora do que aquela que se faz por dentro do mundo físico, limitado.

Não importa se é um livro de ficção ou não, o mergulho que se faz é único. Em caso de livro de ficção, esteja preparado (a) para se apaixonar, para criar antipatias, para rir, chorar, irritar-se profundamente, esteja preparado para sentir. É possível compreender a alma de personagens independentemente da nacionalidade – e da tradução da obra – , porque uma narrativa ficcional reúne nuances da alma de quem escreve e comunica à alma de alguém em solidão, em qualquer parte do mundo.

Um personagem solitário em uma obra literária tem apenas uma chance de conquistar a amizade de alguém atrás das páginas de papel ou de um meio eletrônico, e se isso acontece, esse personagem passa a se comunicar fazendo brotar um anseio revolucionário na alma do leitor, sem que ele se dê conta, de que foi uma amizade que começou despretensiosamente em um livro, unido ao seu momento de deleite e solidão.

Para conhecer sobre a obra Mulher Quebrada, acesse a Chiado Books

Aqueles dos anos 1980

Aproximando-se os 31 anos de idade, e claro, as naturais reflexões sobre a vida, sobre o que já aconteceu e sobre o que estará por vir. Das muitas lembranças, as mais marcantes dos tempos de infância são: biscoitinhos em forma de ursinho de chocolate, chocolate branco com um panda na embalagem, glacê de bolo nas cores rosa e azul, vinil e todos os discos da Xuxa, cereal de arroz de chocolate do elefante, papel de carta… (Lembranças principalmente de alimentos, porque o signo é touro)

Você entende que a ‘velhice’ é um estado de alma e que quando se chega na faixa dos trinta, tem uma disposição ainda jovial (raramente no meu caso haha), mas você está legal, está caminhando… Você olha para a Sandy (cantora) e pensa: olha que lindinha que Sandy é, tão jovem ainda! Mas não é um lance físico, é algo dentro da alma, mente, na forma de ver as coisas, de pensar sobre a vida.

Você já teve tantos momentos de quebra na vida, já se refez em tantas situações adversas, aos trinta anos é resultado de uma resiliência admirável e jamais imaginada antes como resiliência, parecia que era só força, mas era mais do que isso.

Você entende que seu corpo precisa de uns cuidados que você não pensava muito quando tinha vinte anos, e claro, você só sai de casa se antes se certificar de que se sentará, porque muito tempo em pé já causa umas dores nas costas bem desagradáveis (risos).

Você se lembra de Friends, principalmente do episódio ‘Aquele em que todos fazem trinta’, no meu caso, a identificação é maior com Rachel, pelo estado de depressão antes do aniversário e por questões dela pessoais vividas naquele contexto, como um relacionamento com um cara totalmente nada a ver com os ideais dela naquele momento (no meu caso, a identificação é maior com o estado de depressão).

Mas é curioso, porque ao ir para os trinta anos (sim, ir), houve uma perda de controle (entrei em leve parafuso), mas depois que passa, é como avançar de fase em videogame, e você nem se lembra mais daquela fase chatinha anterior e pensa: ‘nossa, olha que fase mais legal essa, muito mais emoção’. Sim, muito mais emoção. Você tem uma sensação importante de ‘tenho pouco tempo’, e aí se joga de uma maneira muito mais incisiva na vida, sem tempo para muitos rodeios. Você vai, se não sabia manejar bem as armas, agora não tem tempo para aprender, mas precisa manejar as armas. (metáforas um pouco estranhas, eu sei)

Tenho ouvido com muita frequência Waiting in Vain de Bob Marley e cantarolo sempre, ao lavar roupas, louça, banheiro, ou quando estou andando nos corredores do mercado e de repente sou surpreendida por alguém com riso contido imaginando que sou um pouco maluca. Eu não quero esperar em vão acredito que é o trecho que mais deve chamar minha atenção, e no geral, esperar em relação aos sonhos, projetos, claro que é essencial, mas há muitas coisas que esperamos em vão, e esse esperar precisa ser abolido, é legal deixar a vida ser a imprevisível que é, é legal deixar o universo ser maior (e ele não precisa de permissão para nada), é legal ser vulnerável, é legal não esperar nada e permitir a vida ser estupenda como é.

Eu não tenho a maturidade que gostaria de ter, prefiro inverter a ordem das velas e deixar o 13 transparecer em um brinde aos tempos em que ouvir Nirvana e Aerosmith me faziam já pensar na vida, no que seria, e enfim, 18 anos depois, percebo que aquela adolescente conseguiu muitas coisas, bem mais do que ela imaginaria. E falo sobre coisas na alma, na mente, conquistadas dentro de si, como tesouros tão valiosos, que me fazem agradecer todos os dias a Deus pela vida, mesmo com todas as adversidades que vêm como ondas em vários momentos da jornada.

Que o mundo seja mais belo! E não perdi jamais aquela esperança de revolução apesar de todos os pesares. Não acho que uma andorinha sozinha não faz verão, se as outras não quiserem seguir o caminho habitual, uma única pode muito bem fazer valer o presságio de dias mais harmoniosos e confortáveis.

 

 

 

A coragem que viver exige

Me chame pelo seu nome… Não serei fraca quando isso acontecer, estarei vulnerável, estarei completamente desarmada, mas isso será apenas sinal de que a minha alma está plena no corpo.

“Nós arrancamos tanto de nós mesmos para curar as coisas mais depressa, que ficamos esgotados perto dos 30 anos, e temos menos a oferecer cada vez que começamos algo com alguém novo” – essa á uma fala do diálogo dilacerador entre pai e filho no filme Call me by your name… Esse foi o bálsamo mais precioso de que minha alma necessitava nos últimos anos.

Como a coragem é necessária, como viver demanda coragem, demanda fôlego, demanda luta interior, demanda loucura… A beleza está neste processo sem fórmula, nesta vida sem qualquer ensaio, nesta luta contra o medo, o grande opositor do amor.

Oliver no filme, não teve a coragem em viver aquele amor tão único com Elio, e arrancou muito de si para ‘curar’ aquela sensação perturbadora de amar e não se sentir corajoso o bastante para viver o sentimento. Me chame pelo seu nome e eu te chamarei pelo meu… O reconhecimento de si no outro, tão vulnerável, tão corajoso e tão libertador… Sou Oliver até então. E ao mesmo tempo estou na alma de Elio, tentando entender, ressignificar e procurando não morrer.

A vida é um sopro e pensar em como nos esquivamos da vida em muitos momentos é tão louco que sequer consigo expressar como acredito que deveria por meio da escrita. O amor é a razão essencial de toda a vida e é dele que me esquivei por tantos anos tentando me livrar da minha vulnerabilidade ou acreditando que estar vulnerável era como uma espécie de doença que precisava ser curada o mais rapidamente.

Dilacerador… Dilacerador é se esquivar de si e da razão pela qual se existe: o amor!

 

‘Borderline’ – vulnerável homem nu

Foto: Vinicius Conrad

O monólogo Borderline, dirigido por Marcello Gonçalves, que estreou em São Paulo no espaço Parlapatões, na sexta-feira, 13, com texto de Junior Dalberto e produção da Cia. de Arte Nova, vale ser apreciado.

Rutras, personagem brilhantemente interpretado pelo ator potiguar Bruce Brandão, é um border que relata a sua trajetória envolta por sexualidade aflorada, bipolaridade, desejos desenfreados, esquizofrenia, boas doses de loucura e lucidez. Bem, essa é a parte técnica do texto.

Hoje foi um sábado agradável, desses em que ficar em casa o dia todo fazendo nada ou inventando coisas para fazer seria indiferente para um dia com uma aura de paz fora do comum. Uma ideia repentina – ver uma peça teatral -, e a partir da busca despretensiosa na internet, o nome de um transtorno chama a atenção.

Jogo de luzes, fumaça e surge um homem, desses que vivem da arte de interpretar personagens, talvez eles mesmos, e filantropicamente, os espectadores. Rutras, personagem com um quê de mitologia cibernética, homem nascido nos anos 1990, em meio à virtualidade e camuflado por ela desde nascido. Quem o veria? Seus pais? Sua irmã? Ele mesmo? Espectadores?

Um homem nu, desses que arrancam o couro da carcaça e mostram tudo o que têm, ora, esse plural não cabe aqui, porque pouquíssimos seres fazem o mesmo ao redor do mundo. E talvez não seja o personagem Rutras, mas uma espécie de devoção na alma de ator, que perpassa a atuação e personagem. Do que se trata esse monólogo? De sentir.

Não conseguia controlar sensações, lágrimas e em alguns momentos, vergonha, talvez porque essa nudez é tudo o que alguns humanos precisavam para se livrar de um tormento, de uma grande agonia. E se um homem, de ofício ator, e se um personagem, ofício do homem, se despem, por que não os mortais sem palco e sem o escudo da arte?

Ao final do espetáculo, já premiado, baseado no livro O Cangaço e o Carcará Sanguinolento, de Junior Dalberto, o homem que ali se despiu fala sobre o espetáculo, fala sobre a importância da divulgação, sobre o apoio para que continue sendo estrelado. E me coloco a pensar: a que ponto se chega quando é preciso que algo tão límpido que desperta os mais profundos sentidos na alma, precisa de brados para que seja ouvido! Tempos árduos!

Um homem atormentado por desejos, com uma memória infalível torturante, envolto em uma enxurrada de culpa, de lama, de drama, mergulhado em pecado e absolvido por um sofrimento fora de sua consciência. Tão louco, tão feliz a ponto de se despencar no abismo da tristeza. Tão envolto na virtualidade, incapaz de discernir os sentimentos mais crus em sua realidade. A morte é um desejo, ainda que viver seja o álibi de suas delícias. É história insana, não rende compreensão a olhos e ouvidos dispersos, é um negócio que acontece na alma, que desperta desde terrores a compaixão. É a arte, que muitos acreditam ser inútil, mas que ainda torna os dias tão espetaculares! Sábado com uma aura de paz fora do comum. Fora do comum…

A vida acaba para quem não sonha

‘Viver é melhor que sonhar’ – diz a canção Como nossos pais, e é verdade, é ‘melhor’ no sentido de uma vida mais previsível, sem os caminhos inconstantes que o ato de sonhar esculpem na alma e no cotidiano do sonhador. Sonhar, quando pensado literalmente, geralmente não faz muito sentido quando se tenta uma interpretação com base apenas na razão e dura realidade. E sonhar, quando pensado no ato de esperançar algo de ‘olhos e alma’ bem abertos, é ainda mais sem sentido e talvez soe loucura.

O ser humano sonha, na maioria dos casos, sem nenhum recurso para que aquele sonho se realize, e suas ações cheias de esperança, com muito esforço, fazem com que essas sementes de fé comecem a brotar, na maioria dos casos, esse processo parece tão demorado! Mas essa sensação de demora nada mais é do que a criancice presente no sonho. Há uma criança com urgências em todo ser sonhador e quem faz o papel do adulto é a supremacia do tempo, que muitas vezes, é aquele senhor que para alguns pode ser cruel, para outros impiedoso e para outros, fundamental.

Me lembro de Simba, meu saudoso cão, era muito afoito, desses cães que destruíam tudo pela frente e isso não se limitou apenas a quando era um filhote. Era um Cocker Spaniel de cor caramelo, lindo, divertido e muito ansioso, era um cão ansioso… A condição de Simba de cão de caça fazia com que ansiasse um campo aberto para explorar, quando ele sequer tinha a referência de um campo aberto. Simba queria ser explorador e se não havia terra, mato, becos, ele fazia essa exploração em cimento, em concreto, em paredes, sofás, em sua casa de madeira… No fundo, Simba era um sonhador inconsciente. Suas destruições eram sinais de sonhos – que ele sequer sabia que sonhava – frustrados.

Já nós, temos a consciência como sonhadores, sabemos o que existe e o que não existe de condições para que os sonhos se realizem, e a grandeza de sonhar está em se nortear pela certeza de que o que ainda não existe, vai existir, e isso é fruto de algo muito louco e muito questionável que é a fé. Mas sem ela, é impossível transportar montanhas.

Sonhar é um exercício que será constantemente resistido pela incredulidade, que também faz parte de nossa condição humana, e como faz! Dentro da consciência, sempre haverá uma voz que questionará o sonho, se é muito grande, se é muito louco, se é muito impossível, se é muito bobo… E a voz do sonho não existe. O sonho é silencioso, ele não diz e não responde jamais a voz da incredulidade. O sonho age, o sonho confronta, o sonho reage, o sonho brada em loucura. Aí, em algum momento, a voz da incredulidade se sente tão solitária e inútil, que deixa de advertir, já que o sonho nunca resistiu pelo medo de parecer ridículo.

Sonhadores não têm medo algum de parecerem ridículos. Sonhadores não pensam em nenhum momento se o sonho é grande ou pequeno, ou se é colossal, porque sonho não tem tamanho. Porque para sonhadores, mover montanhas para o meio dos mares ou mudar planetas de lugar é a mesma coisa. E não se espante Ciência, porque essas alterações geográficas, de um jeito muito insano, acontecem dentro da alma do sonhador e transcendem no planeta, chamando outros seres com ‘inclinação’ à loucura a esse ato desordeiro de sonhar, além da vida.

Sonhe, sonhe, sonhe, seja ridículo, louco, seja um desses lunáticos que a sociedade desconsidera. Sonhe absurdamente grande, até o dia em que a incredulidade deixará de importunar por se sentir a ridícula da história. A vida acaba para aqueles que não sonham.

Livro sobre ser feminino também para homens?

Mulher como representação masculina?

Apesar de uma história que tem como cerne um ser ‘sem nome’, conhecida na narrativa como Mulher Quebrada, o livro tem como finalidade mostrar a aventura dentro da existência de uma alma. Este ser feminino também propõe uma representação masculina. Quem é a mulher em pedaços? É literalmente uma mulher, mas também é um espelho para seres, além do gênero, seres que de alguma maneira têm sido convidados a aventurar-se em si mesmos, mas talvez ainda não tenham tido a coragem para este mergulho.

Ficção: romance, aventura, o que essa obra é?

Romance com um quê de aventura é o que a obra propõe. O livro tem sete capítulos, que se completam e mostram a jornada da personagem rumo em busca dela mesma, se construindo até mesmo como personagem ‘completa’ diante do imaginário do leitor.

Em cada capítulo há algumas histórias de personagens entrelaçadas, como de Laura, Maria Fernanda, Pedro, Heitor, entre outras. Essas histórias propõem uma reflexão sobre o ato da escolha humana como ferramenta essencial que norteia caminhos.

Homens podem ser a Mulher Quebrada?

Claro que sim, homens podem, e como a personagem, também enfrentam a mesma sensação de desconhecimento de si ou de que estão desmoronados, precisando ressignificar a própria existência.

“Que toda a coragem seja a arma mais imponente e importante, que todas as vestes mais enlameadas possam ser lavadas pelas águas cristalinas do desejo absurdo de ser quem é. Que todas as mulheres quebradas, talvez em corpos de homens, possam ser restituídas pelo contato com um ser feminino que esteve totalmente disforme.”(trecho da obra)

Não é um livro sobre mulheres ‘apenas’, é um livro sobre gente, e neste caso, a personagem leva essa ‘identificação’ feminina. A autora não pensou muito nisso enquanto escrevia, mas hoje compreende que talvez fosse mesmo preciso trazer o homem à identificação com a mulher e não o contrário, como uma espécie de quebra de correntes importante.

É feminista essa obra?

Embora por tratar sobre um ser feminino e consequentemente se enquadre em temáticas femininas e dentro do movimento feminista, a Mulher Quebrada é uma obra além de movimentos. O ‘ser’ humano está além de teorizações e embora essas teorias sejam essenciais até para a prática do ‘ser humano’, o sentir e o deixar a intuição verdadeira se aflorar e nortear os caminhos faz muito mais parte da essência do livro. A leitora ou leitor darão o veredito sobre o que esse livro é ou não.

Há alguma influência da psicologia na concepção da obra?

Quando escreveu, a autora não pensou muito no quão da psicologia poderia estar inserindo no livro. Mas o fato de a personagem viver entre dois mundos, entre o mundo dos sonhos e o real, faz uma referência ao psicoterapeuta Jung.

Certa vez, muito antes de escrever a obra, a autora sonhou com uma folha de sulfite em branco e com o nome Carl Jung escrito na cor preta –, ela nunca havia tido qualquer contato com obras dele – e sequer sabia como o sobrenome do psiquiatra se pronunciava até aquele momento. Ela só se lembrou desse sonho novamente depois de ler pela primeira vez a obra finalizada. Escreveu sobre isso um anos e seis meses antes de escrever o livro: Se o que importa é ser, que então sejamos

Por que ler a obra?

Por que não ler? Por que não dar uma chance de conhecer a personagem e a história?

Às vezes ela (autora) gosta de se referir a si na terceira pessoa.

 

Livros fazem mais do que contar histórias

 

livros salvam

Aos onze anos de idade já havia tido boas experiências com a leitura desde a infância. Adorava ler os gibis da Turma da Mônica, as histórias clássicas, com destaque para  O Rei Leão, e algumas obras das quais não me recordo mais, como uma coleção de quatro livros de fábulas, desses comprados na escola, em que animais na selva interagiam apresentando uma série de situações engraçadas da ‘rotina’ na floresta.

Na adolescência, lembro de ter lido um livro sobre uma família que vivia no Alasca e que encontrava uma série de dificuldades para vencer o frio e a fome, não me recordo do nome. O engraçado é que sempre tive boa memória e embora me recorde do contexto das histórias, do nome do livro em específico não lembro. Não acho que é porque as histórias não me marcaram, pelo contrário, senão eu sequer traria à memória, mas é que há algumas narrativas muito marcantes, tão marcantes que não se pode esquecer, como se ficassem fincadas na alma.

livro sabinoO primeiro livro, desses que me marcou na alma foi No fim dá certo – Se não deu, é porque não chegou ao fim, de Fernando Sabino. Aos onze anos esse livro foi uma companhia de três dias, gostaria que tivesse durado pelo menos mais dois, mas era tão intenso lê-lo que eu esquecia do tempo ao redor, esquecia dos meus dramas adolescentes e me identificava com algumas personagens que faziam parte daquele jeito tão único de Sabino de colocar em crônicas grandes doses de esperança, humor, e que humor! Gargalhava tanto com algumas histórias, relia, pensava e pensava. Quando terminei de ler e entreguei o livro na biblioteca da escola, vi a notícia de que Sabino havia falecido no Rio de Janeiro. E lembro de constatar – No fim deu certo mesmo! – pelo menos na minha alma era como se algo tivesse sido plantado, uma dose de esperança nascia.

Aos doze anos, o que me marcou foi um livro de poemas, desta vez era Thiago de Mello o autor da vez, ‘da vez’ dos meus desajustes sentimentais em o Poema Perto do Fim “A morte é indolor/O que dói nela é o nada que a vida faz do amor”.

Houve outras histórias como aquelas da infância, das quais me recordo do contexto, mas nomes de personagens e título do livro me fogem da memória. Como um livro, também lido na adolescência, indicado pela escola, que contava a história de várias personagens a partir de uma calça jeans que ‘entrava’ no contexto de vida de cada uma delas.

a hora da estrelaaE tive a honra de conhecer algumas personagens dessas tão marcantes que a gente acha que já conhecia de algum lugar, de algum canto na alma, ali, esperando para nos honrar com a existência. Dentre elas, Macabéa, brilhantemente narrada por Clarice Lispector em A Hora da Estrela, a nordestina, inocente, sedenta por conhecer novas palavras e significados e que às vezes irritava, de tão paciente e de tão passiva. Mas ao mesmo tempo era tão corajosa, porque dava a si e à própria vida um brio que a sociedade ao seu redor jamais daria, e se dava essa dignidade por ser tão sonhadora e de alma pura.

Também tive o prazer de conhecer Elinor e Marianne, em A razão e sensibilidade, de Jane Austen, suspirei por Mr. Darcy e reverenciei a força de Elizabeth Bennet em Orgulho e Preconceito.

Já me distraí muito com O Casamento de Nelson Rodrigues a ponto de não saber se fazia sol ou se escurecia para lá da janela fechada.

Já exercitei a minha passionalidade com João Cabral de Melo de Neto – “O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato”, me fazia tanto pensar!

E Cujo de Stephen King? Em que um cão São Bernardo tem o seu estado psicológico relatado pelo autor enquanto o vírus da raiva lhe toma cada partícula do grande corpo animal! E Cemitério Maldito? Em que a loucura toma a mente do médico Louis Creed, que incessantemente passa a crer na ressurreição de entes queridos, mesmo quando o próprio gato ao ser enterrado naquele cemitério retorna maligno, fétido e sem nenhum traço do que fora o doce Church.

Porque será, ora bolas, que de algumas histórias recordo tão bem e de algumas guardo na memória fagulhas de lembrança? Definitivamente não acredito que seja porque algumas histórias são mais importantes do que outras, não acredito que no universo das palavras exista acepção de histórias, acredito que algumas histórias marcam mais na vida e alguns personagens se tornam tão especiais porque aquela dose de ficção era exatamente o manancial que a alma tão sedenta ansiava naquele exato momento. Acontece como que um encontro memorável infalível. Em alguns casos, o autor é tão despretensioso como narrador, que os personagens ficam completamente nus diante de nossa própria nudez, e aí acontece um encontro particular entre almas – a alma do leitor com a alma do personagem -, como se ambos se tocassem por um breve e valioso momento, apenas porque um soube entrar na alma do outro. É possível entrar na alma de personagens também, não são apenas meros personagens, em alguns casos, são nossas representações em histórias literárias.

Vamos nos livrar da rasa compreensão de que livros ‘apenas’ contam histórias, porque na verdade, livros contam a nossa história, por meio de personagens que são tão reais a ponto que nos habitar cada partícula da alma em um momento ínfimo, como se leitor e personagem estivessem em um palco vazio e se olhassem, abraçassem, em alguns casos se confrontassem antes de um abraço e algum dia, mesmo que não se lembre assim com tanta riqueza de detalhes sobre o contexto ou sobre aquela personagem, alguma coisa dentro da nossa alma floresceu. Livros contam a nossa vida envolta em uma ficção e beleza estética que nossos sentidos são incapazes de captar no dia a dia, mas se você parar para pensar, vai ver que a sua vida é como um livro e se parar para se olhar, vai ver que é um personagem peculiar encenando a si em um palco reluzente sob as estrelas no doce Universo.

Escrevo porque…

Barasa Plutônica

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“… A gente escreve porque o mundo é uma confusão desconexa, que não se consegue entender, a menos que se faça um mapa com as palavras. (…) a gente escreve porque lê, escreve a fim de refazer para uso próprio as histórias da nossa vida.” Edward Sheffield, escritor no filme Animais Noturnos.

É difícil para quem ama tanto as palavras e foi de uma maneira tão benevolente chamada para servi-las, dizer porque escreve, explicar porque se rendeu a esse chamado. Às vezes é muito mais fácil se encontrar em uma resposta alheia, de um escritor em um filme desses incríveis que a gente tem a oportunidade de ver, mas não é o bastante, porque cada autor no mundo vai ter uma maneira de expressar o seu amor e de justificar a sua vocação que definitivamente não precisa ser explicada, muito menos ao pé da letra.

Nem de longe eu seria…

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Quando nenhum espelho te mostra a si

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Aqui, na Rússia, Bélgica, Alemanha, Hungria, Irã,  Iraque, em qualquer ponto deste planeta, existem almas que desejam mais, bem mais do que simplesmente passar o tempo até a morte. Há almas que sentem a dor a cada instante, que jamais se sentiram completas ou reveladas a si. Será que a divindade permite este tipo de resposta? Será?

Seria loucura este anseio latente em cada partícula da alma? Seria uma obsessão essa a de saber quem é? Por quê? Qual o sentido de tudo? Quais as respostas para essas tantas e tantas questões? Por que estou no mundo? Por que você está aqui?

Por que, apesar de todos os momentos de dor, a esperança sempre venceu, por um esforço totalmente à parte da minha compreensão e fora da minha percepção? Como foi que eu encontrei alguma força para tentar conectar palavras e trazer alguma construção de significados que pudesse me fazer algum sentido ou quem sabe sentido para alguma alma no planeta?

Já me permiti violência em muitos momentos. Já me permiti mutilações em muitos momentos. Já me permiti os mais profundos ferimentos na alma. Mas ainda não havia me permitido a nudez. Ainda não havia permitido o esvair das vestes, lama. Se ver em crueza, em fragilidade, em tantas deficiências, é angustiante. Se ver tão disforme, tão sem forças, com a sensação de impotência ‘tão essencial’, é muito angustiante.

As transformações não acontecem apenas porque queremos. As mudanças levam um tempo, porque nossas escolhas nos pedem preços e pagá-los é uma questão que não envolve absolutamente nenhuma força, pelo contrário, envolve fraqueza. É na impotência que aquilo que realmente tem lutado na alma para ser polido e brilhar, ganha força.

Para uma alma limpa, para que uma restauração se faça, primeiro é preciso lidar com as feridas, com cada partícula de dor, com a feiura dos tantos espaços dilacerados na alma. É preciso lidar com a própria nudez, com a vergonha e com a responsabilidade que surgirá ao nascer da dignidade de ser restaurado.

É absolutamente insano para muitos. Não tem sido mais ao meu eu.

Quando nenhum espelho te mostra a si é porque os próprios olhos se esquivaram a todo momento. Quando nenhum espelho te mostra a si é porque escolheu não ver-se. E ao se ver, é apenas nudez, é apenas impotência, são feridas, são mutilações. É quando os olhos se abrem que algo divino começa a acontecer – o processo de cura. A esperança nunca deixou de existir, a paz nunca deixou de habitar, o que muda é que com a enxerga de si, a escolha é a de se apropriar de quem com muito custo AINDA chegará a ser.

Mulher Quebrada – Obra sobre uma personagem que deseja se pertencer

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Este é um livro escrito sob intensos sentimentos e inspiração. É um livro de autora amadora sobre uma personagem também ‘amadora’ em viver. Conta a história de um ser feminino conhecido como Mulher Quebrada que em algum momento de sua vida, desmorona em minúsculos pedaços. Mesmo muito ferida, mesmo com uma alma coberta por chagas, ela decide se aventurar na busca por si.

Na luta e busca por saber quem é, por ser mulher inteira, essa personagem enfrentará um mundo paralelo ao seu por meio dos sonhos e nessa busca será confrontada pelo seu desmoronamento, por insistentes sombras que lhe rodearão a todo momento, enfrentará incertezas e vai precisar de muita coragem para superar todas as barreiras. Será que ela conseguirá?

É uma obra sobre a importância de reencontrar-se. É um livro que embora tenha um nome feminino, está destinado a todo ser humano que busca pertencer-se, a todo ser humano, independentemente de gênero, que está na busca por um sentido.

Foi tão intenso escrever este livro, as mensagens foram superiores à minha compreensão e me domaram no exercício da escrita. As palavras me encarnaram e ergueram para sempre a história da Mulher Quebrada.

“Qual o futuro de uma mulher em pedaços? Qual a solução para uma alma ferida? Quando ela soluçava sozinha em seu quarto, acreditava que era solitária a sua dor, que era impossível que o clamor que exalava de sua alma fosse ouvido. Mas é por isso que escritores existem, para tornar vivas as almas em pedaços, para dar voz àqueles que acreditam que sua presença é silêncio no mundo.” Trecho da obra

Gostaria que alcançasse as almas porque no meu eu produziu e tem produzido um efeito libertador.

É maior, está acima da minha existência, está acima de pretensões, porque eu sou  apenas servente das palavras.

A Mulher Quebrada representa cada humano no mundo que tem deixado de viver a própria vida, que ainda não assumiu o protagonismo. A Mulher Quebrada é uma personagem que foi levantada pela literatura, trazida à vida pelas palavras, para nos mostrar que viver não é um mero acontecimento e que evoluir dói. Desejar a si e estar em si tem um preço.

Que sejamos impactados por essa mensagem. Que sejamos mais corajosos, mais loucos, que não tenhamos medo em nos expor, em expor nossas chagas, nossas dores, nossas fraquezas. Ser de fato humano custa um preço alto. É obra sobre a sensação de fracasso intermitente, sobre escolhas e  efeitos.

Quem é essa Mulher Quebrada? Sou eu? É você? Ela tem um nome? Vamos descobri-la?

Mulher Quebrada – www.chiadobooks.com/livraria/mulher-quebrada

Sem paixão, não há razão para viver

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Certa vez, nem sei bem como, cheguei ao filme Azul é a cor mais quente e o achei tão genial! Quando se vê Emma (a personagem com o cabelo pintado de azul), instintivamente o espectador pensa que trata-se da protagonista da história, mas quando a narrativa começa a ser descortinada, então percebe-se que aquela menina mais tímida, cheia de medos, com curiosidades sexuais, amorosas, é a essência da trama, mas há um detalhe aqui: Adèle não se coloca em nenhum momento em sua vida em lugar de protagonismo, mas de coadjuvante, como sombra de Emma – que se torna a paixão e a razão de sua vida.

Em um dos diálogos, Emma se mostra incomodada em ver em Adèle aquele comodismo, já que enquanto ela se dedica à arte da pintura, aos seus sonhos, vê a parceira se perder em sua sombra. É angustiante ouvir de Adèle que o importante é estar apenas ali com Emma, é se abdicar de si por uma paixão – efêmera. Ora! Mas toda paixão é efêmera! – muitos podem pensar. Sim, a paixão em si tem uma essência efervescente, impetuosa, mas sem fôlego o suficiente para se sustentar, até se apagar por completo. Mas há uma maneira de se apaixonar, de forma que o fogo jamais se acabe e de que não haja em nenhum momento qualquer decepção. Loucura? Não! Falo sobre a paixão pela própria vida. Falo sobre a paixão, sobre o amor, sem a idealização da manifestação desses sentimentos apenas por meio de relações amorosas, com exceção da relação consigo, do amor pela própria vida e isso não é egoísmo, chama-se: gratidão pela própria existência.

Adèle era a protagonista, era o cerne da história, era sobre ela a narrativa, era sobre ela principalmente. Depois acabei vendo que o filme se chamaria A vida de Adèle, mas seria incoerente demais com a simbologia de um ser humano que não está no palco da própria vida.

Nos foi dada uma oportunidade, temos uma alma em corpo, temos a possibilidade de vivenciar aqui uma história única e se nos colocamos à sombra de alguém é como se estivéssemos renunciando àquilo para o que fomos chamados: protagonizar.

Cada ser humano tem um porquê, uma paixão, aquilo que precisa expressar ao mundo, precisa expor ao Universo. É preciso se exercer aqui. Se fazer. Sair da sombra, quebrar as amarras. Não adianta esperar que as correntes se quebrem sozinhas ou que alguém venha te salvar, a decisão em se soltar de grilhões precisa partir de ti mesmo.

Se acha que estou em um nível acima por te escrever sobre isso, saiba que também estou em processo, estou em fase de quebrar grilhões, correntes, não estou absolutamente sob a luz. O escritor precisa ser sincero quanto a si mesmo, tanto quanto é quando habita em mundos paralelos.

Não era sobre Emma, não era sobre os sonhos dela, sobre as conquistas dela, sobre as paixões que a moviam –, em todo momento – a vida de Adèle estava sendo contada, ela era a personagem mais importante que preferia se colocar à sombra de uma paixão efêmera ao invés de buscar em si a paixão pela própria vida.

O momento é agora. A gente tem tempo ainda para viver os sonhos, para ser o que tem de ser. A gente tem tempo antes do fim carnal absoluto. Pensa nisso! Pensa no quanto a sua vida é importante, pensa no seu chamado ao protagonismo. Pensa no que te desperta paixão na vida e faça da sua vida uma brisa suave para manter a chama desse fogo acesa. Promete que vai pensar?

Vestir-se de si

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Há um episódio da minha vida, que embora soe cômico, é uma importante simbologia para o meu eu. Quando adolescente, enquanto esperava para entrar em um restaurante, não me reconheci no espelho e isso durou aproximadamente três minutos. Costumava usar o cabelo preso, e neste dia, estava solto. Mas hoje não compreendo que não me reconheci apenas por isso, mas por um processo que envolvia o saber quem sou, o estar comigo mesma e esse processo –, até que eu definitivamente compreendesse que precisava me ‘procurar’ na alma, levou tempo e não está totalmente finalizado.

A sociedade nos ensina, os meios culturais (falo aqui daqueles que me influenciaram diretamente) que precisamos estar ‘aptos’ para corresponder a algumas expectativas, a maioria implícita, trata-se de uma guerra invisível. Você precisa lutar por algo, alguém, por conquistas, sejam elas para você ou que te envolvam e em segundo plano, um coletivo se beneficie. Mas não faz parte do jogo, não está entre as ‘regras’ da guerra, que o sujeito tenha que lutar para ‘ser’ neste mundo. Há uma armadura, há vestes próprias para este tipo de guerra ‘habitual’ e poucos ousarão tirar essa armadura para ver aquilo que são ou aquilo que falta em ser. Consegue entender?

Aqueles que resolvem se despir dessa vestimenta ornamentada para essa guerra simbólica, que nem se percebe como guerra – apenas se a gente se despir por algum momento –, percebem que dói muito o nunca ter sido de fato, o sequer saber sobre quem é.

A essência, esse cálice único, que cabe a cada ser humano em especial no mundo, muitas vezes é como uma vestimenta de alma que precisa-se enxergar, reconhecer e depois se encorajar para vestir. Sabe por que coragem? Porque o uniforme de guerra habitual é seguir em concordância com regras e estar sincronizado em comportamentos e quando se decide usar a própria veste, não é só a pessoa que se vê de maneira diferente, mas o mundo ao redor e muitos não poderão compreender a razão dessa escolha. Você entende? É loucura não seguir uma fórmula que tem sido bem-sucedida desde que o mundo existe, é loucura querer ser do seu jeito próprio. E por que fazer essa escolha de vestir-se de si?

Porque essa é a razão pela qual existimos. Para saber sobre quem somos. Para que possamos evoluir. Crescer. E dependendo de quando tomamos essa decisão, essa escolha pode doer, pode dilacerar, pode quebrar a alma em minúsculos pedaços. Dói vestir-se de si por cima de uma essência que fora por tanto tempo mutilada. Mas depois que essa veste é colocada sobre a alma, o processo de cicatrização começa a acontecer. Como eu sei disso? Porque estou experimentando o processo de cicatrização ainda. O me vestir de quem sou é dizer a você sobre o meu processo e para que por meio dele, possa ter coragem para se buscar, para se retirar de si por algum momento e ver o que é necessário para que não morra absolutamente.

Muitos escolhem viver a vida do outro, os sonhos do outro, de acordo com as expectativas de uma sociedade sombria, e talvez essa escolha parta da comodidade de manter-se, sem dor, sem trabalho, sem luta – sem dor ao transformar-se, sem trabalho ao ir em busca por si mesmo em cada partícula obscura da alma, sem a luta de não desistir, mesmo quando o processo estiver sendo insuportável de tão doloroso e confrontador.

O vestir-se de si dói tanto! É uma luta muito pesada, mas que no final pode valer muito a pena. A minha função aqui é dizer que faço parte dessa luta, que estou aqui para que converse, para que se solte – literalmente – de todas as amarras que te impedem de florescer como humano. A gente ainda vai se encontrar por aí. Seja no Brasil, Espanha, Portugal, Estados Unidos… seja até em outra dimensão. Nos encontraremos queridos irmãos e irmãs, seres lutadores por ser.

Vista-se de dignidade, meu bem… E brilhe!

 

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O que é ser mulher? Qual a tua definição particular? Existe uma transição de garota para mulher? Bem, ainda estou em busca da resposta, por enquanto, acredito que mulheres, independentemente de idade, podem ter em si as duas facetas: menina e mulher.

Há uma espécie de vestimenta, invisível e indispensável para manter o brilho do ser feminino, é o brilho da dignidade, capaz de revestir cada espaço da alma. Mesmo que em algum momento tenhamos andado despidas dessa importante e preciosa vestimenta, nunca é tarde para reencontrá-la, tão nossa, tão a nossa cara em algum momento improvável entre a dor e a delícia de ser quem é.

É uma couraça tão importante essa que é impossível não esboçar um sorriso um tanto maluco, sabe por quê? É a proteção indispensável, indissociável e é o reencontro da alma com essa espécie de abraço de si mesmo.

Ao encontrar com a dignidade que nos cabe, percebemos que absolutamente todas as angústias em torno de outros protagonistas que não eram nós, eram vãs. Lágrimas são sagradas, preciosas, têm remédio para a alma e ao longo da vida a gente aprende que não se desperdiça o mais importante elixir da evolução com assuntos que não sejam os mais sagrados.

Revista-se de si. Encontre a tua veste limpa e apenas sua. Ande por aí em passos firmes, olhe nos olhos de quem lhe cruzar o caminho e sorria como uma alucinada a cada segundo que perceber que é incrível interpretar a si mesma, sem ser atriz.

Já entendeu que você é a protagonista da sua vida? Já entendeu que atores péssimos e coadjuvantes não precisam continuar repassando o texto sem qualquer verdade no seu palco? Matemos a velha mulher! Sejamos insanas, as selvagens, revestidas de toda a couraça da dignidade, talvez adquirida depois de tanto tempo em um espaço vintage, mas que sempre será atual, de agora, de já.

 

 

 

Apesar de todo abatimento, o teu brilho não está perdido

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Você pode achar que não, depois de tanto chorar. Que não, não pode ter restado nenhum brilho em si, na alma cansada, na vida toda quebrada. Pode não ter mais qualquer contentamento ao se olhar no espelho ou dificuldades para encontrar em si alguma beleza ou qualidade interna que reflita no exterior.

Você está em pedaços. Sua alma está triste. Talvez tenha sido até diagnosticada com alguma doença emocional. Mas não é o fim da linha para você. Não é sinal de que não há brilho. Você brilha!

Há quem ache que quem escreve tenta sempre levantar a bola das pessoas que leem, mas nesse caso, vai por mim, estou tão em pedaços como mulher quanto você. Dentro do meu ser existe uma fé, mas as minhas palavras estão direcionadas sem qualquer menção de religião. Que a tua espiritualidade te fortaleça!

Não importa o que te aconteceu, em quantos pedaços foi quebrada e talvez esteja levando mais tempo do que imaginou para deixar ir embora a dor. Dependerá de ti, da tua escolha em deixar ir o que te faz mal, o que te entristece e o que te limita como ser mulher.

Você é uma mulher, uma menina, uma flor simples e cálida que não tem sido regada. Apesar de toda a casca que te faz ser enxergada quem sabe como ser forte, por dentro, você está em pedacinhos muito pequenos, estraçalhada.

É hora de ser feliz, meu bem… É preciso lutar e ter coragem para se lavar em águas límpidas de renovação, que devolverão a tua luz. É doido o que essa doida te escreve? Talvez seja, mas hoje é dia de tomar um gole de fé por si mesma. É dia de jogar fora os maus sentimentos e deixar dentro apenas o que fortalece a tua luz.

Abatida, mas não totalmente destruída. É tempo de renovação em sua alma. Abra a porta, deixe a vida ser o que ela é – grandiosa e transformadora.

Que o coração não se endureça…

girl in love

Confesso que não é fácil escrever um texto como esse. Não é fácil encontrar a poesia com o coração adormecido. Mas o foco é te falar sobre a importância de não permitir que as situações, por mais difíceis, endureçam o teu coração, a tua capacidade de expressar sentimentos nobres.

Mesmo após quaisquer cruéis desilusões é preciso dar ao peito não apenas o tempo para que se recupere, mas o ímpeto de que precisa para continuar sendo terra fértil para bons sentimentos.

O ser humano é ensinado há milênios que o relacionamento é principalmente aquele com o outro e nunca consigo mesmo. É como se fôssemos treinados a pensar até mesmo sob o prisma da suposição do que está na mente do outro, que é quase loucura.

Em uma desilusão, o que se procura inicialmente é encontrar respostas para um monte de porquês, respostas que não mudam em nada o fato de a desilusão ser o que é, difícil. E aí pode ser que por alguns dias, semanas ou quem sabe meses, você diga a si mesmo e a pessoas do seu convívio que será diferente da próxima vez, que não se entregará como antes, que não será tão idiota. Mas o ato da entrega não foi jamais um erro, foi uma expressão inevitável de um coração vivo e pronto.

Uma não-correspondência do outro, que também precisamos compreender, afinal, é assim que é no mundo. O fato de não ter sido correspondida em sentimentos, que pode ser um ato com inúmeros contextos —, o que também vai ditar o tamanho da ferida — não deve ser a razão para que o coração se empedre, pelo contrário, mas que renasça ainda mais forte após a dor.

Ninguém erra por ser o que é, por ter agido com sinceridade, por ter sentido algo especial, ninguém erra por se dar. Não é uma questão do que se fez de errado, mas do que se fez de certo e que não se correspondeu com a ausência de ligações no outro para receber essas ações verdadeiras e espontâneas.

Não vale mergulhar nas sombras. Pelo contrário, procure se esquivar de tudo de sombrio que tentar lhe perseguir. O coração vai voltar a ser poesia sempre, não permita que as circunstâncias o oprimam a ponto de não conseguir mais destilar amor.

 

 

A vida que não estamos vivendo

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Hoje cheguei contando os meus dramas ao terapeuta, que me perguntou sobre qual o meu maior medo, ao que respondi: morrer em vida. Ele sorriu e me disse: você já está vivendo o seu medo.

Tenho deixado que inúmeras situações me impeçam de viver, tenho deixado que muitas coisas me tirem a paz. Não estou lutando para continuar viva. Recentemente assisti  o filme O Encantador de Cavalos e me fez refletir sobre o que é de fato saber sobre quem é e lutar pela própria vida.

Esse processo de mudanças, de desconstrução de um monte de pensamentos que se tornaram padrão na mente, leva tempo, gera dor e traz a sensação de que talvez nada nunca realmente vá mudar. Mas já está mudando.

Não posso passar mais tempo vendo a minha vida passar, não posso desistir de ser quem sou, de lutar para saber sobre quem sou, não posso e VOCÊ também não pode continuar essa não vida. A gente se conforma muitas vezes com situações que nos agridem, que vão contra a nossa essência e tudo por um bocado talvez de falso afeto. Sair do lugar comum não é simples, não é assim de uma hora para outra e gera muita, mas muita dor.

Há uma vida plena que nos foi dada e o que temos feito? Temos deixado que ela passe, que escorra entre os nossos dedos como areia. Temos deixado de lutar por nós, temos dado ênfase aos sonhos encantados, mas o que temos feito para que se realizem?

Vamos viver já! Não é fácil, claro que não. Precisei ouvir isso de um terapeuta para repensar a minha vida e perceber que é necessário quebrar padrões construídos desde a infância.

Será que vale a pena ficar em uma situação apenas por comodidade? Arrisque…

Sobre ela…

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Talvez ela nunca tenha sido amada, conhecida, desvendada. Talvez ela nunca tenha sentido algo que fizesse algum sentido em seu mundo. Mas a verdade é que ela foi totalmente quebrada e despedaçada ao longo dos anos.

É difícil para ela crer novamente, é difícil para ela qualquer entrega e lhe falta reação. Ela não sabe lidar com declarações, porque sempre questiona de onde podem realmente estar vindo aquelas palavras, de onde pode realmente estar vindo determinado gesto. Ela não sabe como agir. Ela chora em silêncio e sozinha no escuro, sente muito, muito medo.

Ela ouviu tanto que o amor cura e que o amor resgata, mas ela não sabe discernir o amor dentre sentimentos impostores. Era para ela se sentir feliz, mas ela tem medo de se entregar um pouco mais e de cair despedaçada como tantas outras vezes. Será que ela ainda tem fé?

Ela está cabisbaixa diante da vida, ela às vezes balbucia alguma palavra de sentimento ao vento. De vez em quando ela pensa: ‘que vá embora tudo que me fará sofrer’. Mas talvez ela esteja sendo egoísta, talvez ela esteja olhando demais para si mesma e tem deixado de pensar que cada um carrega algum inferno em sua vida.

Ela está tentando não se confrontar tanto, porque talvez precise apenas deixar de pensar um pouco e deixar a vida ser o que precisa e deseja ser. Ela se esconde atrás de uma personagem, porque tem medo que descubram o quão repleta de cicatrizes é sua alma.

Ela precisa voar e não sabe como. Ela quer se mostrar, mas não sabe se poderá lidar com os infernos que sempre insistem em rodear. Ela é uma alma cansada e ferida, sem muita sorte, mas com vontade… de saltar para o mundo.

Qual é o seu sonho, menina?

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Antes de tudo que de mais atormentador te aconteceu… Antes da dor repentina, antes de toda a lama… Quem você é? O que queria fazer? Por quanto tempo tem procrastinado na realização dos seus sonhos? Por que tem permitido que a cada dia o brilho dos seus desejos mais puros se apague?

Você precisa sair da caverna… Precisa reviver o coração. As borboletas no estômago não eram coisa da adolescência ou coisa de meninice, é preciso sentir a face corar, os olhos vivos fitando o horizonte.

Você está triste… Muito, muito, muito triste e ultimamente tem sorrido apenas porque não quer ser questionada.

Ouça uma música, tome um gole de vinho, veja um filme inspirador e tranque o passado no velho baú. Pega seu vestido florido, sua sandália de pedras e dance um pouquinho ao som da própria voz.

A dor não vai durar para sempre, a tristeza não vai existir enquanto viver… Mas você precisa sacudir esses seus pensamentos, mandar embora a poeira na alma, precisa deixar Deus curar suas feridas e te dar um novo fôlego.

Você precisa voltar a sonhar, menina. Precisa retomar sua fé em si, sua vontade de viver, de sorrir, sua coragem de cair quantas vezes for necessário para estar no mundo como ser humano mais forte. Não deixa a luz apagar, não… aí embaixo de toda ilusão, há força, há amor…

Eu não servia para você

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Eu não servia para você. Eu não poderia alcançar jamais o teu nível sublime de existência. Eu jamais poderia me igualar a você, à tua capacidade, à tua genialidade… Blá blá blá…

Bem, sei que provavelmente era isso que gostaria de ouvir, eram exatamente essas palavras que gostaria que acariciassem seus ouvidos, seu ego. Mas claro, obviamente que jamais, em hipótese alguma eu lhe diria algo do tipo.

Primeiro porque não posso ser tão rasa a ponto de dar a alguém um louvor ilegítimo, segundo porque não aceito a possibilidade da perda da minha dignidade sob o nome de ‘doce paixão’ pelas suas migalhas de afeto, de palavras roubadas, de versos ensaiados. Continuar lendo

Algumas pessoas não mudam…

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Você achou que seria diferente dessa vez, não foi? Mesmo que ninguém do seu círculo de amigos, de familiares que te amam, mesmo que ninguém concordasse, você acreditou que pudesse ser diferente… Você quis dar uma chance, pensou se talvez também não pudesse mudar algo em si… Mas não, você apenas se machucou, mais uma vez, mais uma dolorosa vez. Mas agora nem parece doer, não é mesmo? Diante do que já sofreu, isso parece quase nada.

Quantas vezes você mudou? Falo de mudar naturalmente. Quantas vezes foi mudada (o) pela vida, pelas circunstâncias? Às vezes as mudanças não foram muito positivas e aí se esforçou tanto e tanto, que as coisas começaram então a ser diferentes e melhores…

Mas nem todo mundo é assim… Nem todo mundo muda minha amiga (o), nem todos se preocupam, principalmente se podem machucar alguém de um jeito que fará aquela pessoa ter de se esforçar ao extremo para ser curada, para ter a ferida cicatrizada.

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Faça valer a pena o tempo com você

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A gente pensa em tanta gente no mundo, marca de passar um tempo com tanta gente. Pensa até em personagens de filmes, novelas, séries, pensa no que será que fulano resolveu do que disse que ia fazer… Se todo ser humano se dedicasse a escrever roteiros, quantas histórias interessantes teríamos!

Mas nesse vai e vem de pensamentos, nessa mania de pensar sem parar que até impede o sono de chegar de vez, a gente se esquece é da gente, esquece de pensar um pouquinho mais na nossa vida, não nos colocando à mercê de uma segunda, terceira vontade de outra pessoa, falo de pensar na gente e ponto final.

Tenho uma mania meio louca de falar sozinha, falo comigo na terceira pessoa, isso faz parte do meu eu desde bem pequena. É meio bizarro, eu sei, mas eu me pergunto coisas como “Quer um pedaço de bolo?”.

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Você pode dançar!

 

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Alguma coisa em algum momento caiu e se estatelou. Alguma coisa quebrou. Talvez não fosse alguma coisa, talvez fosse a sua alma.

Você pode escolher, você pode se deitar em uma cama e ver a sua série favorita enquanto se enche de chocolate ou da sua guloseima preferida. Você pode abrir uma garrafa de vinho barato que estava há tempos na geladeira e beber como se estivesse tramando algo bem sinistro.

É sempre bom ter um ritual, um ritual de renovação, desses secretos, desses intimistas, pra gente fazer com a gente, apenas…

A música tanto faz, não importa se é Madonna, se é Britney Spears, se é Ivete Sangalo, se é Bee Gees, não importa se tem ritmo para dançar… Apenas dance. Tire da mente os maus pensamentos, tire da mente qualquer pensamento limitante, tire da mente essa coisa de ‘eu perdi’. Você não perde o que não tem. Você não pode perder o que NUNCA lhe pertenceu.
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Saiba você sobre quem é!

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Uma das coisas que sempre me fez pensar é “fulano nunca me conheceu”, e isso vale para amigos e vida sentimental. Batia a famosa bad, afinal, poxa, a pessoa parece nunca ter tido vontade de saber mais sobre você, sobre o seu jeito, seus sonhos, seu signo, sua maneira de pensar, sobre os seus defeitos, desajustes… Péra! Sobre os defeitos até acabam descobrindo, porque é a única coisa que os olhos dessas pessoas já predestinados a não te enxergar, conseguem ver. E aí você é a louca, a chata, a mina doida, a sem qualquer parafuso na cabeça.

Se você abre o seu coração, dão risada, desconversam, acham que pode ser um teatro seu, mas era você mostrando a sua alma como poucas pessoas são capazes de fazer.

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“Você é legal, mas não quero nada sério”

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Não é só porque eu caço sarna para me coçar… Mas às vezes algumas coisas me acontecem, me batem na cara e não sei se é para que eu acorde ou se é apenas uma agressão gratuita, como tantas outras.

Houve uma fase em minha vida em que queria sair por aí sem rumo, em que estava achando legal conhecer outras pessoas, me divertir, mas era apenas um lado meu que desejava isso, havia uma parte muito maior em mim que queria se apaixonar, se encantar, pretensiosamente amar.

Acreditei que poderia ser possível agir com as duas partes de mim, mas não… Era preciso escolher… Demorei um tempo para entender isso.

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Ela está quebrada, e agora?

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A mina tá quebrada. Se estatelou toda, está sangrando, e agora? O que será dela? O que será dos seus sonhos? Será que a vida dela gira em torno de estancar o sangue na alma despedaçada?

Seria o fim da pobre moça? Seria, meu bem?

A moça em pedaços, depois de uma noite insone, decidiu abrir o peito na liquidez deste espaço.

Ela vive, ela grita!

Vem, minas! Vamos conversar sobre a vida, sobre os sonhos, sobre os tombos e vamos soltar do peito as amarras. Somos fortes, somos mulheres e nada pobres.