A solidão só é vilã quando nós não sabemos conversar conosco

Se tem um trecho de música contraditório é o ‘é impossível ser feliz sozinho’. Se a gente for pensar no sentido de vida em sociedade, o sentido está, por exemplo, na execução de nossos projetos e de que para serem bem-sucedidos, dependem de outros seres.

A família é outro exemplo de tesouro inestimável para milhares de pessoas no mundo, tem a ver com o sentido de ter pessoas queridas e especiais ao redor, prontas a prestar apoio em qualquer circunstância.

Quando a solidão começa a se tornar a vilã? Acredito que a melhor comparação que se possa fazer para exemplificar seja a de viver relacionamentos amorosos apenas por desespero ou ansiedade, na ilusão de que assim não se estará sozinho, quando na verdade, se vive a pior experiência de solidão, já que é como se a pessoa se ausentasse de si mesma e de seu poder de racionalizar e vivesse dentro de uma bolha de angústia para estar acompanhada ‘fisicamente’ a qualquer preço.

A solidão em si é contraditória, porque se pararmos para pensar, nascemos na Terra sozinhos, enfrentamos uma série de coisas na vida, sozinhos, porque todo o processo de lutar, muitas vezes com a gente mesmo, é todo um processo solitário. A solidão é uma condição e se torna vilã para milhares de pessoas no mundo, quando se deixa de pensar no que é existir.

Se eu existo, dentro do meu eu há muitas complexidades e uma ‘companhia’ que acredito que vai além da morte, é uma consciência que se aproxima muito de uma companhia independente vivendo dentro de nós, sendo o que somos… Parece loucura, eu sei, mas é como se a solidão, que tanto apavora em todos os momentos, fosse ilusória também, porque a consciência é uma presença sublime dentro da alma.

Elsa Punset é uma filósofa e escritora espanhola, que na obra ‘O livro das pequenas revoluções’ fala, dentre outros assuntos, sobre a importância de que o ser humano consiga lidar com emoções negativas, como o medo da solidão, que é tratado com um dos mais presentes males do século XXI.

Há muitas pessoas no mundo, que não enxergamos, porque estão além da nossa bolha, muitas vezes envolta por egoísmo, pessoas que fisicamente estão sozinhas e desvalidas no mundo, mas não abandonadas por sua própria consciência, e muitas delas, ainda conseguem lutar em si mesmas para tentar mudar a própria sorte, e conseguem atingir o objetivo. Porque a maneira como pensamos e encaramos as situações pode mudar a nossa vida.

Há quem critique os livros de autoajuda, vídeos ou qualquer conteúdo com esse teor, eu particularmente acredito que a vontade humana de se autoajudar é louvável, porque nós não podemos simplesmente nos conformar com todas as lástimas que acontecem em nossos caminhos, temos o poder de mudar situações.

Acho que existem dois tipos de solidão, a solidão que acolhemos como condição humana, já que estamos sozinhos e precisamos caminhar sozinhos, dentro de nós mesmos para evoluir… E a solidão que repugnamos porque acreditamos que é um monstro terrível que nos assombrará apenas porque nos convida ao exercício extasiante de pensar. Pensar em nós, em quem somos, em quem queremos ser e do que precisaremos para isso.

‘É impossível ser feliz sozinho’, vamos interpretar da seguinte maneira: quando alguém é feliz em si mesmo, há muitas outras pessoas ao seu redor ou em diversas partes do mundo que também são felizes em si mesmas, enfrentando delícias e dores.

A solidão só é vilã quando nós não sabemos conversar conosco quando ela traz consigo o silêncio e nos pergunta gentilmente sobre quem somos e o que queremos nos tornar. É super possível ser feliz sozinho, até mesmo porque mesmo acompanhados continuamos solitários com a nossa própria consciência.

 Texto escrito para o site O Segredo

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