Obedecerei à Razão

Dentre as minhas maiores dificuldades está a de ser racional, claro que isso não quer dizer que eu não pense ou que não consiga nunca refrear minhas emoções. É que sou muito levada por emoções, muito metafórica e muito guiada pelas imaginações. Esse é o preço pela minha brincadeira com as palavras.

Às vezes a realidade é muito cinza, é muito crua. Às vezes é mais fácil pincelar o mundo de cores que só existem na minha cabeça. Ver as coisas como se é, pode ser muito… doloroso. E eu sinto, sinto muito. Não queria.

Em muitos momentos me comporto como uma criança birrenta que não quer obedecer. Minha razão me grita. Me chama para perto, me convoca à realidade e… preciso obedecer.

Às vezes preciso deixar um pouco a anestesia das fantasias de lado e sentir. Preciso me deixar doer, entender, deixar fluir a dor até que se dissipe a ponto de eu quase não sentir… quase.

Meu flerte com a poesia tem sido mais intenso nos últimos dias. Uma amiga muito sábia me disse há pouco que a poesia era o presente e que a gente só consegue entender a poesia se está conectado no agora. Tenho aprendido a me encaixar no meu eu no presente e a poesia assim tem se tornado uma companheira, no agora.

Tá doendo, mas ao mesmo tempo percebo, que mesmo sem cores inventadas, a dor é de um azul bonito e pálido. O mundo real nem é assim tão ruim, sem ele, eu não poderia criar almas em palavras, almas reais.

Obedecerei à razão. Desta vez, sem muita resistência, vou de bom grado, talvez ela me ampare as feridas, me faça entender minhas infantis birras, quem sabe ela me faça descansar em paz a partir da compreensão sobre minha própria dor.

A gente não pode fugir assim, como animal fora do aprisco, a todo momento, de nossa sorte, de nossa realidade, de nossas crises. Paro, aceito a ordem racional, aceito o toque da razão, aceito a convocação para sair um pouco da subjetividade, mas só um pouquinho.

A poesia, agora, posso sentir. Tenho vivido a poesia e agora consigo entender o sussurro suave dos poetas. Há uma nova linguagem em meu estilo a me chamar e cá estou, em poesia para atender a essa nova aventura.

A dor, sinto, sinto, sinto muito. Mas descobri que nesse azul tão bonito e pálido, também consigo sentir conforto. Tenho sido mais poesia à medida que aceito as advertências da razão. A razão me chama para o agora e os poetas então conseguem me dizer o que me falta saber: amor.

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