violência contra a mulher

Violência contra a mulher – um drama ainda mais complexo em tempos de isolamento social

O drama da violência contra a mulher só aumentou com o isolamento (medida decorrente da pandemia do novo coronavírus). A ONU Mulheres, entidade da Organização das Nações Unidas para igualdade de gênero e empoderamento, divulgou em abril o relatório “A sombra da pandemia: violência contra mulheres e meninas e Covid-19”.

Uma em cada três mulheres em todo o mundo já sofreu violência física e/ou sexual e isso tende a piorar por conta da pandemia e orientação de isolamento. Na Zona Leste de São Paulo, por conta do aumento de episódios de violência, mulheres imigrantes moradoras da região, criaram um grupo de apoio no WhatsApp, para receber pedidos de socorro e oferecer ajuda às vítimas de violência.

A diretora executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, em declaração emitida em abril, falou sobre a tensão criada pelo confinamento e a pressão por conta das preocupações relacionadas à segurança, saúde e dinheiro. O isolamento das mulheres com parceiros violentos tem aumentado, fazendo com que essas mulheres sejam separadas das pessoas e dos recursos que podem auxiliá-las.

Esse cenário, segundo Phumzile é “uma tempestade perfeita” para controlar o comportamento violento a portas fechadas, além disso, com o sistema de saúde sobrecarregado por conta da pandemia, os abrigos de violência doméstica estão atingindo a sua capacidade máxima.

O problema da violência contra a mulher já representava uma demanda alarmante , nos 12 meses anteriores à pandemia, 243 milhões de mulheres e meninas (de 15 a 49 anos) em todo o mundo, foram submetidas à violência sexual ou física por um parceiro íntimo. Conforme o isolamento continua, esse número tende a crescer com múltiplos impactos no bem-estar das mulheres (em sua saúde sexual e reprodutiva, em sua saúde mental e em sua capacidade de participar e liderar a recuperação de nossas sociedades e economia).

Feminicídio no Brasil em tempos de isolamento

No Brasil, em 2019, dos 3.739 homicídios de mulheres, 1.314 (35%) foram categorizados como feminicídios, isso quer dizer que a cada sete horas, uma mulher é morta apenas por ser mulher. Quando se leva em conta o vínculo com o autor do crime, revela-se que 88,8% dos feminicídios foram praticados por companheiros ou ex-companheiros, ou seja, em ambiente doméstico, muitas mulheres estão expostas ao perigo.

O feminicídio no Brasil em tempos de isolamento tende a se tornar um problema de maior dimensão, considerando que em ambiente doméstico junto ao agressor, essas mulheres são vigiadas e impedidas de conversar com familiares e amigos, o que viabiliza o maior poder para a manipulação psicológica.

Redes de apoio – Como pedir ajuda em um caso de violência?

Recentemente o vídeo “Call” foi divulgado pelo Instituto Maria da Penha, a fim de conscientizar as mulheres vítimas de violência e também às pessoas próximas, que podem se tornar rede de apoio para as vítimas.

Essa história narra a situação de muitas mulheres no Brasil e no mundo que estão isoladas com os agressores dentro de casa, em situação de vulnerabilidade. Por conta das restrições de circulação, a denúncia a esse tipo de crime se torna menos frequente.

O vídeo ilustra uma reunião matinal para alinhar questões de trabalho e a personagem Carla surge muito maquiada e relata em mensagem privada à colega de trabalho Mariana, que foi agredida fisicamente. Nesse contexto, Mariana assume o papel de rede de apoio e chama a polícia para salvar a amiga.

Após 10 minutos de reunião, Carla atende o interfone e avisa o agressor sobre a chegada de uma encomenda, assim que ele sai, Mariana grita: “Tranca, tranca” Amiga, já tranca, não perde tempo! Tranca tudo! A polícia chegou?”. Carla levanta, tranca a porta e volta à chamada de vídeo visivelmente abalada.

Essa é uma campanha capaz de gerar incompreensão e tensão. Incompreensão porque assim como os demais participantes na videochamada, não é possível saber exatamente o que está acontecendo, apenas no final, após a advertência da Mariana e desfecho do vídeo.

O que essa campanha mostra é que tanto em caso de vulnerabilidade diante da violência, como em caso do conhecimento de um caso de violência, é preciso que se assuma uma posição de não conformismo com essa realidade.

Não se pode, claro, desconsiderar a complexidade em torno da violência doméstica, porque sabemos que está intimamente relacionada a mecanismos de manipulação psicológica por parte do agressor.

Mas além da complexidade, é preciso sempre enfatizar que mulheres que sofrem agressão não estão sozinhas. A violência contra a mulher é uma realidade no Brasil e no mundo e precisa ser cada vez mais discutida. O feminicídio é real e precisamos continuar falando dele.

Informações importantes

  • Em casos de violência doméstica, a Polícia Militar pode ser acionada imediatamente pelo 190;
  • Há também o Disque 180 para o atendimento e orientação à vitima;
  • O atendimento à distância é realizado pelo Nudem (Núcleo de Defesa das Mulheres Vítimas de Violência de Gênero), e pode ser realizado via mensagem de WhatsApp no número (11) 9 – 4220-9995; e gratuitamente no 0800-773-4340.

Segundo a Defensoria Pública, todos os serviços estão sendo mantidos com a restrição de atendimento presencial apenas para casos urgentes.

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