Dark

Dark – lide com as suas obscuridades

Dificilmente eu vejo séries do momento. Comecei a ver Dark pouco antes da última temporada ser lançada pela Netflix e, como a maioria das pessoas, a cada episódio saía mais confusa. A esperança era a de que ao chegar à última temporada as coisas fossem se encaixando…

Não sou alguém muito focada quando é preciso fazer correlações, lembrar de tudo, me apossar de todos os detalhes… Alguns detalhes aos quais me apego costumam ser tidos como “irrelevantes” vendo pela perspectiva geral.

Terminei a série com a sensação de que não entendi absolutamente nada, porque minha “base” para entender era a “óbvia” e estava tentando compreender pela perspectiva de outros e não pela minha própria. Toda a técnica em termos de quem era quem na série e todas as teorias por trás e como eram aplicadas, enfim, isso foi absorvido muito rasamente pelo meu entendimento. A sensação foi: qual será o meu problema então?

Mas acredito na máxima que para tudo na vida há uma razão, sendo assim, despertei às 3h na última noite para ir ao banheiro e quando voltei para a cama, a minha mente, “para variar”, achou que poderia despertar. Foi aí que entendi o que a série “quis” me dizer, sim, filmes, séries, músicas, livros, tudo encaro como um sinal.

Confira: Moby Dick – Resista até o final

O Universo que somos – cada um

Somos únicos, estamos num Universo colossal e infinito e… cada um de nós é um universo particular. Dentro desse conceito de Relatividade Geral, em que o espaço-tempo é maleável e em que como é visto na série, passado, presente e futuro são uma coisa só, temos o poder, dentro de nós, de “mudar” a nossa realidade.

O que é o futuro? A gente pode pensar que está lá na frente, mas o futuro começa com ações que tomo agora e o passado em mim também me norteia em decisões, afinal, aprendi uma série de coisas até aqui. Dentro da temática de Dark, posso afirmar que sou o passado, presente e futuro. Antes. Agora. Depois.

O esforço de Jonas e Martha para “alterar” essa realidade de viagens no tempo, para barrar a repetição de acontecimentos, para que o “mundo não acabasse”… compreendi como a necessidade do meu esforço em barrar o ciclo de repetições que me levam às mesmas falhas e que me impedem de evoluir em meu desenvolvimento.

O Começo é o Fim e o Fim é o Começo

A linha chegada e a linha de partida se fundem. Quando pensamos que algo começa na nossa vida, no mesmo ponto de chegada algo se vai, nos dando um novo desafio a vencer.

Quantas vezes temos a sensação de que algo “morreu” em nossa vida e logo mais surge um resquício de vida que nos faz arder para a nossa própria existência novamente.

Quando você olha muito tempo para um abismo

… o abismo olha para você. Essa frase do Nietzsche me fez querer ir adiante com a série… Porque em minha jornada, de tempos em tempos, o abismo me chama de maneira muito convidativa e requer um grande esforço rejeitar essa escuridão, esse Dark.

Lidando com as próprias obscuridades

Ou passamos a nossa vida “escondendo” as nossas sombras ou lidamos com ela. Ou convivemos eternamente com o loop de repetições comportamentais nocivas ou nos esforçamos para quebrar o círculo.

Jonas escolheu acabar com um ciclo de repetições e isso rendeu muitas consequências, algumas delas, irreversíveis. Basicamente é isso que Dark significou para a minha alma, uma reflexão sobre obscuridades, ou lidamos com ela, encaramos e tentamos quebrar o ciclo, ou ela nos envolve até que não sobre nada de quem somos.

“O que sabemos é uma gota e o que ignoramos é um oceano”, como foi dito por Isaac Newton, e aí é interessante que superficialmente podemos pensar no saber como algo do externo para o nosso interior, mas o oceano que ignoramos, principalmente, é quem somos, assim como o que sabemos sobre nós é uma gota, tão ínfima que mal se sente o frescor da água.

Com determinação, posso alterar a minha realidade, posso transpor algumas barreiras mais difíceis e isso só será possível se eu encarar as minhas obscuridades, se tiver coragem e responsabilidade o suficiente para “viajar” dentro do meu passado, presente e futuro. Talvez eu precise me matar em algum dos mundos que já vivi no universo que sou, talvez eu tenha que escolher qual dos meus eus deverá seguir em evolução.

Ok… Esse texto talvez não tenha te feito entender sobre as viagens no tempo, quem era quem e quais eram os conceitos por trás da série. Mas daqui você sai com a reflexão de que você é Winden e de que você é Dark.

Gostou do texto? Compartilhe! Aproveite e conheça o livro Mulher Quebrada, escrito pela autora Daiana Barasa, voltado para seres que desejam se aventurar na busca por si mesmos, para acessar o seu “Dark”

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