Tudo culpa desse movimento feminista

“Infelizmente, existe o movimento feminista”, foi a frase do jogador de futebol, Robinho, condenado a nove anos de prisão pela Justiça Italiana por um caso de estupro.

Durante muito tempo, quando me deparava com o tema feminismo, não queria me vincular a ele. Pensava que as feministas eram todas umas malucas e exageradas e que pregavam o ódio aos homens e que problematizavam tudo. Mas aí passei a fazer algo simples, pesquisar sobre o tema.

Coincidentemente em 2015 em uma pesquisa de conclusão de curso de Jornalismo, o tema girava em torno da epidemia de cesarianas no Brasil, e claro, dentro dessa pauta tão feminina que é o parto, o feminismo se fazia presente. O primeiro termo que me fez pensar quanto à escolha da mulher pelo parto que deseja e não por imposição do hospital, médico, Estado, sociedade, etc., foi “a histerização do corpo feminino”, mencionado por Michel Foucault em seu livro História da Sexualidade – A vontade de saber (Vol.1).

O que eu pensava enquanto lia era que não fazia sentido que em pleno século XXI aquilo ainda fosse uma realidade e que mulheres precisassem se expor por meio da internet para conseguirem ser ouvidas, para conseguirem se conectar a outras mulheres com as mesmas angústias para não se sentirem sozinhas. Ouvi muitas vezes enquanto pesquisava que era um exagero, que tanto faz cesárea ou parto normal, o que importa mesmo é o parto, mas aquelas mulheres só queriam escolher como parir, o lugar, com quem estar, o tratamento que gostariam de ter, e algo tão simples, soava como uma “reivindicação” absurda.

Aos poucos fui percebendo que esse movimento feminista era realmente bem louco, mas fundamental e que eu só estava exercendo o meu direito de me considerar feminista ou não, porque milhares de mulheres lutaram por esse direito antes da minha existência.

Conheci alguns misóginos ao longo da vida, vivi de perto alguns dos tantos dramas que lia em livros, via em filmes, em vídeos, em tantas manifestações artísticas.

Autoras como Judith Butler, Carla Cristina Garcia, Simone de Beauvoir, Elisabeth Badinter, entre outras, me fizeram iniciar um processo de compreensão do feminismo, mas o mais importante é que essa compreensão amadurece ainda mais a partir da sua visão sobre si mesma.

Olho para trás e vejo quantos pensamentos já desconstruí ao longo da vida, vejo o quanto já mudei e ainda mudo e percebo que a compreensão do feminismo evolui à medida que você percebe a si mesma, o seu ser feminino na sociedade, o contexto feminino que te cerca.

Esse movimento feminista é:

  • Sobre amar a si mesma, se absolver de culpas que se tornaram estigmas da sociedade sobre a sua vida;
  • Sobre amar as pessoas (mulheres e homens), e almejar viver em uma sociedade em que ambos os sexos possam compactuar respeito, direitos e valores;
  • Sobre a liberdade de viver, de escolher, de ser;
  • É sobre lutar contra a impunidade, contra o feminicídio e todas as manifestações de ódio ao ser feminino;
  • É sobre liberdade sexual, liberdade sobre ser ou não mãe;
  • É sobre ser quem é, contra todas as imposições de uma sociedade doente;
  • É acreditar na cura da sociedade doente;
  • É persistir vivenciando um feminismo vivo em si mesma, porque ser feminista é lutar por si e para que mulheres como você possam ser livres;
  • É sobre desconstruir julgamentos contra o próprio gênero, é vivenciar o que se chama de sororidade de maneira íntegra;
  • É sobre mudar todos os dias;
  • É sobre não aceitar relacionamentos que firam a sua liberdade e desrespeitem os seus limites;
  • É contra todo fundamentalismo religioso que impõe, por meio de uma crença na “sagrada” submissão feminina, o acesso às portas dos céus;
  • É sobre o respeito às bruxas;
  • É sobre amar a si mesma ainda que a sociedade te odeie;
  • É sobre amar o seu corpo, ainda que os padrões de beleza o queiram esquartejar e mudá-lo;
  • É sobre você não se sentir exagerada por ser feminista, mas apenas uma mulher lutando pelo seu e direitos de suas irmãs.

Sim, é tudo culpa desse movimento feminista e que bom que existe um movimento para que mulheres possam ser livres das garras da opressão, que resiste há milênios.

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