Ouça o som do seu coração

Geralmente escrevo ao som de alguma música, mas hoje escrevo apenas ouvindo o som do meu coração. Quando era pequena, 4, 5 anos de idade, na escola, tinha um exercício que era deitar no chão e ouvir o próprio coração e a professora dizia: ouça, sinta o seu coração e eu sentia aquele pedaço de mim batendo forte, às vezes me deitava com o ouvido no tapete emborrachado e podia de fato ouvir/sentir aquele pulsar.

Eu voltei a ouvir o som do meu coração fortemente neste ano. A princípio o pulsar descompassado me fazia sentir que ele poderia sair pela minha boca a qualquer momento. Era um toque, profundo, intenso, a cada esforço meu, ainda inconsciente por tentar me dar as mãos.

Sabe por que eu escrevo? Porque cada pedaço de quem sou vai sendo desenhado sob meus olhos e eu vou me vendo, aos poucos, me tendo, aos poucos.

A coisa mais clichê, da qual não abro mão, é fazer textos reflexivos de final de ano. Apesar de todo o caos, sempre serei grata. Esse ano me foi o mais caótico, mas o mais intenso e poderoso, porque me mostrou caminhos, porque me ensinou que a gente não constrói nada sobre escombros, e que é preciso quebrar tudo, absolutamente tudo, se quiser começar algo estruturado e do zero.

Agradeço a cada toque de agora, a cada toque e letra, a cada toque do meu coração. É tão clichê escrever sobre coração, mas não sobre o meu, que voltei a ouvir há pouco tempo. Toc… Justamente depois de tanto tempo, eu ouço o seu bater, o seu retumbar, o seu pulsar.

Eu nasci mulher também, nesse ano, e é impressionante como Simone de Beauvoir faz tanto sentido agora. Me pari, a mim, me joguei agora, no mundo, me saí, melhor do que imaginava.

Aprendi a me rasgar. A dor tem que sair. O pranto tem que sair. A máscara tem que cair. Eu escrevo também porque é como vomitar depois de muito se embriagar de mentiras a si mesma.

Voltei a ouvir o som do meu coração. Encarnei a mulher que sou. Minha alma agora está enxergando com os meus olhos e está se ajustando ao meu templo, dia após dia.

Se eu pudesse te dar um conselho, dos mais clichês possível, seria: ouça o som do seu coração. Sinta porque você vive. Para que vive. Pelo que morreria. Ouça cada batida. Cada sussurro seu para ti sobre o que fazer, como fazer.

É um texto bem maternal de mim para mim mesma. Meu lindo e descompassado coração: te ouço. Você ainda me parece pequeno, mas é estranho o quanto sua voz se tornou mais estridente do que outrora.

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