Nelson, não sou mais a mesma!

*Uma reflexão sobre uma crônica escrita em 2015

Continuo te admirando, sendo grata por um momento da minha vida em que sua escrita me deu muita coragem. Cheguei a me considerar mulher rodriguiana, veja só você! Alguém apenas guiada pelas próprias emoções, alguém guiada apenas por impulsos. Alguém até um bocado masoquista.

Mas não sou mais a mesma. Não posso mais me considerar uma fêmea de sua estirpe. Minha liberdade feminina, bem aqui, na minha consciência, me coloca no topo da minha própria vida e isso me faz agir, não à mercê de ninguém, mas de minhas próprias e conscientes escolhas.

O meu gozo não depende mais do outro, mas de minhas próprias entranhas. Não sou mais o tipo de pessoa que se joga, mas que gosta de jogar o jogo.

Sinto prazer naquilo que me faz vibrar a alma e não se trata de qualquer sopro, mas daquilo que me traz algum sentido e vitalidade.

Sim, apesar de ter vivido boa parte da vida nos extremos, estou procurando por um equilíbrio, ainda que na beira do precipício.

Esse exagero todo, praticado durante toda a vida, só me fez ver que tudo o que eu não estava fazendo é viver dentro de mim mesma.

Ainda guardo o lado rodriguiana, na maneira de escrever, de deixar transparecer aquilo que há de oculto em minha mente e desejos, mas não sou mais a mesma, entende?

Quando eu disse que a vida só teria sentido com toda a intensidade (do lado contrário), naquele momento era muito real para a mulher que estava se construindo, mas para a mulher que escolhi ser (e nem faz tanto tempo assim), há outras prioridades.

A solitude é um prazer. É bom dividir a vida com alguém que estará comigo enquanto eu existir.

É muito bom também entender que nesse processo de mudanças constantes, algumas coisas se mantêm. Ainda existe aqui um lado vulcânico que precisa de controle, mas que também é importante em muitos aspectos da minha vida.

Ainda preciso de tesão, de gritar e ainda morro por completo para novos começos. Esse drama todo que eu achava lindo ecoar, guardo, principalmente, para aquilo que cabe, como, olha que coincidência… para o teatro.

Eu sou rodriguiana, de um jeito muito mais rodriguiano, porque é consciente. E a mulher que sou é inclassificável, jogadora e está disposta a ser fiel a si mesma.

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