Há mulheres que estão proibidas de sonhar

A milhares de mulheres não é permitido existir, por isso, elas têm de se encolher dentro de seus corpos e de suas dores.

Não sabemos como é o rosto dessas mulheres, como é a voz dessas mulheres e tampouco sabemos o que elas gostariam de dizer.

O Talibã é uma força sob lei islâmica, é uma corrente religiosa, é uma guerra contra as individualidades, contra a arte, contra a educação, contra a liberdade.

O livro Eu Sou Malala, escrito pela paquistanesa, Malala Yousafzai, é uma maneira de chegar muito perto dos danos de um movimento extremista. Malala quase morreu após atentado do Talibã ao ônibus escolar no qual estava. Ficou anos afastada do Paquistão, com medo de voltar para casa e de ser morta ou de ter sua família morta.

É muito triste ver no Afeganistão uma força opressora como essa retomar o poder, mas muito mais triste é pensar no que essas mulheres, que já enfrentam tanta opressão, terão de enfrentar agora, sozinhas, caladas e totalmente cobertas.

Algumas mulheres não têm força para lutar por si mesmas

Sob o véu, debaixo de sol escaldante, mulheres “com permissão”, caminham apenas com os olhos à mostra. Ninguém sabe como se chamam, se estão sorrindo, se estão falando e provavelmente quando estão chorando, são lágrimas invisíveis.

A essas mulheres não é permitido ser cientista, ser professora, ser escritora, ser bailarina, ser advogada, ser… aquilo que sonham… enquanto os sonhos duram.

Não há força para lutar. Não há explicação sobre a razão de existirem e isso é muito cruel e muito doloroso.

Sempre que se leem livros que contam histórias do Oriente Médio, principalmente de países como Iraque, Afeganistão e Paquistão, a sensação que fica é a de: e se eu fosse de lá?

Se eu fosse de lá, acredito que não teria força, que não me restariam armas internas logo nos primeiros anos de consciência.

Não se trata apenas de se render a um deus qualquer, mas de ter de abrir mão de si, ter que se esquecer e de passar a vida sobrevivendo nas sombras.

A dor de caminhar sem ser vista, sem ser permitida, sem possibilidade de amor é de uma intensidade que nem o lirismo é capaz de traduzir.

Algumas mulheres não podem ser nada além de corpos que vagam sob véus e burqas. Algumas mulheres não podem gritar, não podem correr. Estão presas a uma terra que as odeia, que por compaixão permite que apenas sobrevivam.

É triste que mulheres não possam ser aquilo que desejam. É triste quando milhares de mulheres não podem sequer sonhar… quando milhares de mulheres não podem sequer dizer o próprio nome.

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