‘O Cidadão Ilustre’- você precisa da validação da sua arte?

O filme Cidadão Ilustre, disponível no Netflix, conta a história do escritor argentino, Daniel Mantovani, vencedor do Prêmio Nobel, que vive há quarenta anos na Europa. O escritor recebe o convite para ir a Salas, o povoado onde nasceu e cenário de inspiração para os seus livros, para receber o título de Cidadão Ilustre.

Chegando lá, há uma atmosfera que vai causando certo incômodo, como se a qualquer momento alguma coisa ruim fosse acontecer.

A ideia desse post não é dar spoiler, mas trazer reflexões sobre alguns questionamentos que o próprio personagem faz no filme.

Logo quando recebe o Prêmio Nobel, em seu discurso irônico, Mantovani deixa claro que aquilo não significa a ele muita coisa, que não se passa de um prêmio, dado a alguém, segundo critérios particulares dos jurados.

E quando chega a Salas, tem de lidar com a responsabilidade de ser um jurado na apresentação de artes da cidade.

Como jurado, o escritor enfrenta resistências por que, diferente do que acreditava, não havia liberdade para decidir sobre qual trabalho achava mais original.

Sob o viés da análise artística, há importantes questionamentos no filme.

Uma obra precisa ser reconhecida por um grupo para ser considerada importante?

Acredito que seja importante, em qualquer setor artístico, que os artistas inscrevam as suas obras em editais, que participem de festivais, ou seja, que não deixem passar as oportunidades.

Mas já vi muitas pessoas reclamando de resultados de concursos, querendo de alguma forma ‘invalidar’ o resultado ou questionar os critérios das pessoas que julgam esses trabalhos.

Meu questionamento pessoal é: isso define se uma obra é boa ou não? Até mesmo porque são milhares de artistas que participam desses editais e são milhares os excelentes trabalhos apresentados.

No caso de um escritor, é claro que deseja ser lido, ter a obra reconhecida pelo público, mas se isso não ocorrer, como ele ou o seu ego anseiam, isso muda em alguma coisa a razão de sua obra e o que significa em grau particular?

Mantovani representa, a meu ver, o ser artista de forma genuína, porque ainda que reconhecido mundialmente, ele sabia bem diferenciar o que eram holofotes do que era reconhecimento real e genuíno.

O pacto do artista precisa ser dele com ele mesmo.

Se não reconhecem a sua obra, você deixará de produzi-la?

Você deseja a validação por quê?

O que é mais importante: a sua arte em sua forma mais genuína ou aquilo que supõem sobre ela?

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