O horripilante “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?”

Tive contato com essa obra de Henry Farrell através do cinema… mais precisamente de um remake de 1991. Lembro da figura de Jane, uma mulher velha com uma roupa de criança, com um comportamento carregado de infantilidade e maldade.

Essa história sempre esteve em minha mente. Anos mais tarde, vi a versão de 1962, o clássico filme estrelado por Bette Davis e Joan Crawford, que definitivamente me convenceu de que essa é uma obra-prima do cinema e da literatura. Cheguei ao livro. E acredito que sim, é possível transitar entre a literatura e o cinema ou do cinema para a literatura.

Quero te apresentar essas duas irmãs, Jane Hudson e Blanche Hudson. Quando criança, Jane era conhecida como Baby Jane e estrelava um musical muito famoso, tão famoso que rendeu fama, dinheiro e objetos que eram um culto à essa criança prodígio, como uma boneca, réplica da personagem.

Mas a carreira de Jane durou até a infância, depois disso ela não emplacou mais grandes trabalhos com tamanha visibilidade e reconhecimento como o de Baby Jane. O ‘plot twist’ da história é quando sua irmã, sequer notada quando criança, Blanche, se torna uma grande atriz de Hollywood.

Vale ressaltar que Blanche invejava o sucesso de Jane quando criança e o contrário ocorre, quando Jane passa a invejar o sucesso da irmã.

Jane se torna a sombra de Blanche, encarando papéis como coadjuvante em filmes estrelados por sua irmã.

Essa relação “estranha”, até então camuflada pelo cotidiano de trabalho das duas, se torna ‘macabra’ quando Blanche sofre um acidente de carro que a torna paraplégica, sendo assim, passa a ser cuidada por sua irmã Jane, tendo a sua carreira encerrada.

Quando o terror nessa relação começa

O terror nessa história mora na mente dessas duas personagens e na relação que elas mantêm. As duas guardam uma da outra rancor, inveja, mágoas, entre outros sentimentos, mas Jane é a personagem que mais evidencia uma mente adoecida.

Jane não supera o fato de ter sido tão famosa quando criança, de ser mais reconhecida por esse trabalho e literalmente passa a viver nesse universo, recorrendo a roupas de ‘menina’, à maquiagem que se assemelha a uma boneca e a um comportamento doentio.

O grande jogo psicológico nessa história se torna mais acirrado quando Jane passa a se comportar como “criança traquina” com a irmã Blanche, deixando de alimentá-la porque passa a tornar os momentos da refeição cada vez mais macabros, apresentando animais mortos e minhocas como “surpresa” nas refeições da irmã.

A crueldade vai se tornando cada vez mais intensa, mas talvez o maior terror dessa história esteja no fato de que a vilania mora muitas vezes no oculto da mente e da consciência. Essa é uma história repleta de reviravoltas.

O curioso é que no cinema, as atrizes Bette Davis e Joan Crawford não se davam bem, o que conferia ainda mais verossimilhança à história.

Vale muito ler o livro e conhecer a versão cinematográfica. Ambas são perturbadoras e inebriantes.

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