A cada linha fina…

Antes de começar a trabalhar, achei que poderia ser legal compartilhar algumas coisas que têm acontecido comigo, a partir das minhas reflexões.

Quando eu tinha 25 anos eu já pensava nos 30 que se aproximavam. Quando eu tinha por volta de 27 anos já procurava linhas de expressão no rosto e cheguei a fazer um tratamento estético com ácidos para tratar espinhas isoladas (normais que surgem da má alimentação e estresse)… Era uma grande loucura de desejar uma pele perfeita, que só existe em fotos tratadas. Nem falo sobre filtros de Instagram porque eu não usava essa rede naquele momento e ainda não tinha tantos recursos de filtro como hoje. Mas eu já entendia minimamente sobre como atenuar defeitos, fosse aumentando os níveis do recurso de suavização, contraste, brilho, etc.

Quando eu cheguei aos 30, apesar de perceber que isso não queria dizer muita coisa, eu já olhava para a casa dos 40 anos e a mesma preocupação estética prosseguia.

Com o avanço das tecnologias e procedimentos estéticos em que é possível em inúmeras clínicas fazer preenchimento facial com ácido hialurônico, ter a boca incrivelmente desenhada e dar adeus às olheiras, é um caminho ainda mais tentador para pessoas que lutam contra essas neuras como eu.

Mas o que tem mudado em meu interior?

Estou com 35 anos e de fato muitas coisas têm me confrontado e me ajudado em meu amadurecimento. Tenho aprendido a me olhar como de fato sou e não pensando em como gostaria de ser ou como é nas imagens tratadas. Nenhum tratamento estético me devolverá anos, continuarei tendo a idade que tenho.

Ao invés de pensar em como poderia ser se eu fizesse algum tratamento, penso nas histórias por trás de cada linha fina que surge em meu rosto.

Me lembro de todas as vezes em que me expus ao sol quando adolescente sem nem saber da importância do protetor solar e quando nem se falava tanto sobre câncer de pele. Me lembro das roubadas que já me meti e em lágrimas desnecessárias que já derramei. No tanto de comida ruim que já comi e no sedentarismo que experimentei por 30 anos.

Me lembro de ter mergulhado em sofrimentos que poderiam nem ter existido se meu olhar fosse mais focado na realidade e não nas fantasias que eu criava sem limites.

Linhas finas surgem em meu rosto, fios brancos em meus cabelos, pintas de quando achava que o sol era inofensivo e as olheiras de sempre, por várias noites mal dormidas. E todas as minhas imperfeições ganham um sentido quando eu penso na história que faz com que sejam como são.

E agradeço profundamente por sempre ter lutado com o meu interior que me confrontava sobre o porquê de uma certa obsessão em não desejar envelhecer, por não ter operado o meu nariz quando era adolescente e de ter me apaixonado por ele depois de perceber o quanto é parte da minha identidade.

Um corpo não é só um corpo. Minha fé me faz ter convicção de que ele é o templo de Deus e é o meio também pelo qual minha fé é exercitada. Aliás, as minhas mãos também estão envelhecendo, mas a minha habilidade, presente dos céus, não.

Não sou nada contra os procedimentos estéticos, mas sim, eu penso que é preciso refletir sobre a razão de um procedimento e, em grande parte dos casos, a ideia não é bem se enxergar melhor, mas está como se quer ser enxergado pelas pessoas.

Tenho aprendido a me enxergar, a cada dia, a cada linha, a sorrir, com os meus lábios finos e com os meus olhos.

Eu sei que um dia, eu vou olhar para essa minha ‘pequena obsessão’ da idade adulta e irei rir, mas… até lá, fica aqui um registro da minha luta para ser apenas quem sou e não aquilo que o mundo espera que eu seja por suas “facilidades”.

Se tiver um errinho aí, pega leve, foi correndo e vivendo que escrevi.

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