O Jogo

Às vezes no grande tabuleiro que é a vida, estagno. Estagnar é das coisas mais horríveis que alguém pode fazer consigo mesmo. Você não pode voltar atrás porque é contra a regra do jogo e também não pode pular muitas casas à frente, você precisa dar um passo de cada vez.

Quando foi que eu passei a me acovardar olhando para as casas anteriores?

Você já deve ter visto aqueles filmes de viagem no futuro em que os personagens podem viver situações antes de escolher vivê-las de fato e esse era um dos baitas sonhos dourados para mim.

Você poderia ir, avançar várias casas e experimentar o que poderia ser, no final, tudo não passava de um grande sonho e você pode acordar no mesmo lugar, achando graça daquela miragem que parece ter durado o tempo de um filme qualquer.

Parar é irritante. Você tenta forçar os passos, mas não é essa a engrenagem que faz avançar, você só avança quando consegue entender e, para isso, você precisa abrir mão de muitas coisas, dentre elas, do seu orgulho de achar que já sabe de tudo ou de sua pequenez que te faz crer que não é capaz de quase nada.

Você pode olhar para trás e até ver bem de perto suas últimas pegadas, mas não pode retomar a nenhuma casa anterior, é a regra do jogo, lembra? Você não pode recuar, mas pode se tornar miseravelmente atormentado se seguir olhando para um caminho que não pode mais trilhar, ele só foi importante para que chegasse até essa casa, para esse agora. Te resta olhar para frente e se sentir um idiota porque não consegue avançar e porque não quer ouvir, não quer renunciar, tampouco deixar esse tal de orgulho ou sentimento miserável para trás.

Estagnar é uma droga, mas te faz não se contentar e não se contentar é uma chave dessas bem oportunas. Ninguém perdido e sozinho consegue ficar no mesmo lugar depois de perceber que nada vai acontecer se não fizer algo, por mais tola que a ação pareça ser… e é então que ficar parado num tabuleiro vivo te leva a uma decisão importante.

Você pode ficar de costas para o horizonte e encarar as casas anteriores com aqueles suspiros de mediocridade que de nada aliviam, ou você pode olhar para as casas à frente e pensar que está sendo de alguma forma muito teimoso por acreditar que um negócio tão fracassado como o orgulho acompanhado de medo pode te alimentar por muito mais tempo. Se você não seguir, o jogo te vence e se você seguir, sua mente tenta te fazer voltar antes que termine de atravessar a linha.

O jogo segue, não tem nada lá atrás que traga desejos confortantes, te resta seguir, avançar, um passo só, um único a mais, dentre tantos outros até aquele lugar que fica depois, bem depois e quando olhar para trás novamente, verá que as casas passadas foram as casas de cada agora e que embora tenha sido exaustivo para a sua mente, foi um avanço e tanto… Um dia você nem vai mais lembrar que isso é um jogo porque terá perdido o desejo bobo de olhar para aquilo que já não te representa mais… A cada casa percorrida, teus olhos passam a brilhar pelo caminhar.

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