Ao primeiro sinal

Quando vir o primeiro relâmpago de relance, deixa chover, não refreie a força que te chacoalha. Deixa. Abre o peito e deixa.

Quando toda expectativa for frustrada, aceite o momento, não se queixe, sempre tem alguma saída a alguns quilômetros.

Se durante o processo você adoecer novamente e se isso te fizer acreditar que seu caso não tem cura, olhe só um pouco para trás. O passado é útil para pouquíssimas coisas.

Quando o mundo parecer um buraco minucioso incapaz de acolher o seu tamanho, não tente diminuir, tampouco crescer para entrar onde não te cabe.

Se as escolhas que te trouxeram até aqui te fazem questionar se foram as melhores que se poderia ter feito, não esquece do desconforto insuportável de deixar de ser você mesma para se esconder em lugares medíocres.

Se a sociedade te trouxer uma lista das coisas que precisa entregar para ser validada, ignore, viva cada escolha como parte da sua história sem a limitação do tempo Chronos.

Foram muitas noites difíceis de pensamentos atormentadores. Aquela sensação de que as coisas seriam diferentes a partir daquele momento.

Você lembra do sinal de que haveria um terremoto, mas nada aconteceu? E daquela mudança iminente, mas não o bastante para revirar os seus ossos? Era aquele quase, pequenino como nos filmes que são adoráveis justamente por isso, mas que na vida cotidiana se torna algo amedrontador e quase paralisa.

É um vazio absurdo sem localização e alguma coisa ocupa o lugar do inevitável, alguma frase do livro do autor americano, alguma história do livro da autora mais ou menos famosa. Alguma obra de arte que se tenta colocar no lugar da dor para ver se lembra algo bonito, mesmo que do fundo da lama.

A pequena menina que pensava no que seria depois da morte, no que se esperar depois do fechar de olhos e não imaginava que poderia ter essa resposta tão facilmente, bastava alguns anos mais. Morrer às vezes é fisicamente indolor, mas desespera em pequenos fragmentos.

Não deixe de bater na porta, não se canse apenas pelas milhares de vezes em que ela não se abriu, seu nome foi chamado incontáveis vezes e você também não descortinou a alma.

Ao primeiro sinal, presta atenção, talvez você falhe, talvez não. Mas ao primeiro sinal, deixa tudo vir abaixo.

Se você seguir, mesmo com a sensação contínua de que talvez nunca chegue, vai ultrapassar.

Ao primeiro sinal da luz que dissipa a escuridão, abra totalmente os olhos. Ao primeiro sinal, vive

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