Quando o luto sobrevém

Faz algum tempo que vi o filme La Délicatesse (A delicadeza do amor) estrelado pela atriz francesa Audrey Tautou. Após três anos de luto do marido François, Nathalie conhece Markus em um momento de sua vida em que ela havia se esquecido de si e focado totalmente no trabalho.

Foram três anos de memórias vívidas, de ferida aberta, de muita dor, lágrimas e solidão, até que a cor de um novo amor bate às portas da alma de Nathalie. É muito difícil pensar na finitude de seres que amamos tanto, que um dia não estarão mais conosco, em presença física.

Essa convivência com as lembranças, essa aceitação da dor e a compreensão de que algum dia, que não se sabe como, as coisas vão se tornar mais suaves, de que será possível sorrir ao lembrar, de que as lágrimas darão lugar a sorrisos, a lembranças que despertarão cores na alma.

A desesperança dói e talvez seja a razão do profundo sofrimento, porque a morte é um ponto final grosseiro de uma vida que se está acostumado a conviver em vida, não se imagina que depois de um final, pode haver recomeço.

A cena que mais me emocionou no filme foi da Nathalie em uma festa ao som da música de Émilie Simon (Franky’s Princess):

Franky!
I’m not scared
I know that you’re gone
but I’m still here

E nesse momento, Nathalie dança com toda a alma, com todas as lembranças, mas agora, ela entende que precisa viver com tudo aquilo que ficou daquele amor com François em sua alma.

Escrevo com uma dor que não é minha e sei que é preciso deixar isso registrado aqui.

Um dia, depois de todas as lágrimas, das infindáveis voltas na lembrança, depois de todo o esforço para que nada se apague, a alma te dirá estrondosamente que nada se apagará, e sabe por quê? Por que sentimentos são, além de toda a razão, além da vida, para toda a eternidade.

O luto é inevitável, é difícil, é dolorido, mas de um jeito que não se explica, tem um tempo. O amor é a única razão de se existir e ele filtra a dor, de maneira que o que fica na alma é um quê de eterno, de intocado, de singular. A alma vai te dizer quando for o tempo de ressuscitar da dor.

 

Marina Person

Esse texto poderia ter outros títulos, como Califórnia, filme dirigido pela Marina Person, mas em tudo que vi do filme, em todo diálogo, em cada música, em cada sorriso tímido da Estela, em cada minuto de filme, foi a Marina Person que vi, que ouvi, que relembrei.

Das Vjs da MTV, a minha favorita era a Marina Person. Por quê? Talvez porque ela fosse garota em corpo de mulher, tinha trejeitos de adolescente, não por meninices, mas era como se personificasse um misto de adolescente com mulher, em tempos de descoberta, e assim, eu fazia parte do público da Marina.

Via Meninas Veneno como se fosse um encontro marcado, escondido, desses encontros com amigas, que ninguém conta aos pais, para falar de tudo, de paixão, de sofrimento, de tristeza, de decepção… E o filme Califórnia é essa efervescência da adolescência e que de alguma forma também se traduz em um clamor da alma pela efervescência como ser humano, pelo sentido, pela busca por respostas.

A Estela lembra bastante a Marina, e a trilha sonora obviamente leva à Marina, aliás, o filme todo leva à Marina Person, ao mesmo tempo em que uma história ficcional é contada, a história real, bem carregada de ficção e fantasias veio à mente da espectadora.

O menino dos cabelos bagunçados, as amigas mais extrovertidas, o carinha mais bonito e popular, que não era tão legal assim… A trilha sonora, The Smiths, Bowie, The Clash… e toda a atmosfera das paixões, medos e porquês. Interpretação maravilhosa de Clara Gallo e Caio Horowicz… eram tão a minha adolescência!

Poderia ter tantos nomes esse registro textual, mas quero deixar assim, com esse título Marina Person. Na minha adolescência ela era a minha referência de que tipo de mulher adulta eu gostaria de ser, mas a Marina é ímpar, e eu também desejava ser ímpar assim.

Marina Person, como diretora, você é tão verdadeira quanto apresentadora ou como Marina Person (risos). Conseguiu me mostrar o sonho da Califórnia e uma realidade tão mais eufórica e efervescente em terra nacional!

Com toda a alma

Escolha, escolha, escolha… Poderia ter escolhido o caminho mais fácil, menos doloroso, o caminho com menos questionamentos, mas escolhi viver na busca por sentido, em fazer dessa vida, que é um privilégio, algo grandioso. E claro, que seja grandioso aos meus olhos, que tenha sentido para a minha alma.

Sem certezas, que meus sentidos me salvem. Sem qualquer altivez, que as minhas limitações me despertem. Quero seguir o instinto, quero ir em busca daquilo que me busca. Quero ser alcançada pelo que está acima do meu eu, de minhas limitações. Quero ser alcançada por mistérios invisíveis.

Quando era criança, escrevi em uma velha sulfite que sabia que jamais alcançaria a perfeição, mas que poderia chegar perto dela. E sabe o que é mais incrível? É que o fato de estar inacabado como condição, a certeza da imperfeição, é aquilo que salva a alma, que torna a vida – de cada humano – a vida, com todos os ziguezagues, imprevistos, relevos…

Quero ser conduzida pela arte, porque até então, é a única que tem me dado chances, a única que tem arriscado, com todo ímpeto, e apostado na minha alma. Desejo me entregar à arte, porque é a única que tem inebriado a minha alma, de maneira que me faz sentir que é exatamente o que posso fazer, pelo meu eu e no universo.

Quero ser guiada pelos mistérios da arte. Quero ser tomada, resultado de uma entrega deliberada… é o primeiro pulo que dou sem medo. É o primeiro passo que dou rumo ao desconhecido – com toda a minha alma.

Com muito esforço tenho me libertado de muitas amarras, mas a mais resistente é a pequenez, porque a medida entre brilhar e viver na escuridão é perigosa e envolve um ato importante – o de se enxergar, de ver as limitações, mas ao mesmo tempo não se prostrar diante da própria limitação e podridão carnal. A pequenez não pode ser um escudo, mas uma constatação natural humana, e não limitante para o  ato de ser um ato no mundo.

Sou um ato, entendi isso. A arte é a ferramenta que me escolheu, de uma maneira que não sei como, mas me chama para ser ato. A minha alma, não sei como, será palco para atos e também não sei como ouso afirmar no futuro, mas eu deixarei que isso aconteça.

É na primeira pessoa o texto e isso não quer dizer que não possa ler como primeira pessoa, para si, sendo você. Pode ser que te faça tanto sentido como está fazendo para a minha alma nesse momento.

Com toda a minha alma é o que me proponho na vida como ato. Com toda a minha alma. Com todas as minhas forças, anseios, até dúvidas. Com tudo o que estiver presente na minha alma e com o que está e estará inacabado até o fim de meus dias, com toda essa alma, eu vou.

 

Mais do que uma mulher

Tenho refletido cada vez mais sobre a singularidade do ser humano, sobre o toque único, sobre o que torna um humano insubstituível. Talvez você não se lembre tão bem de Stephanie Mangano, personagem interpretada pela atriz Karen Lynn Gorney em Os Embalos de Sábado à Noite. Mas eu te trago hoje uma boa razão para se lembrar dela – era mais do que uma mulher. E sim, estou parafraseando a música More than a Woman…

tumblr_onbo3oZdE01qmob6ro1_400Por que era mais do que uma mulher? Stephanie sabia sobre quem era, sabia sobre o que fazia a sua alma vibrar – a dança – e sabia que sua participação no mundo não se limitava a aparições rotineiras nos lugares mais badalados, sabia que a sua participação no mundo era maior. Não fazia a menor questão de agradar, não queria ser como ninguém, apenas ela mesma. Não havia personagem, Stephanie era o que era.

Mais do que uma mulher, mais do que um homem, mais, muito mais do que as suas limitações humanas te impõem. Acredite, o órgão sexual, a nossa condição biológica está aquém de nossa essência humana, não é isso que nos torna quem somos, ou que nos concede poder como seres humanos. O que nos torna gente, seres humanos de verdade é a nossa consciência sobre nós mesmos no mundo, é para ir em busca dessa consciência que a vida existe.

Stephanie era um tanto misteriosa, antipática, talvez exalasse até uma falsa soberba, mas não era mistério algum para si mesma, era apenas um ser humano, único, desses que são lembrados não como uma mulher, como um homem, mas desses que são lembrados pelo nome, que carregam uma singularidade que não cabe em padrões sociais ou até mesmo biológicos. Não cabe nem na prisão de ser personagem.

Mais do que uma mulher. Mais do que um homem. Mais do que um sexo biológico. Cada humano tem uma marca, um caminho a percorrer e uma razão que pode transcender o tempo.

Quando você entende a pegada do Reggae

Talvez esse nem seja um dos seus ritmos favoritos, como não era o meu… Mas acredite, se chegar um dia e você ouvir um Reggae, e entender que a cadência de ritmo ‘repetitivo’ entrou no entendimento, então, meu amigo (a), você está no vale da sombra da morte. Sabe que vale é esse? É quando aquilo que não é importante e nunca foi, é quando suas bobagens vão uma a uma morrendo e sendo supridas por um desejo de algo grandioso que sequer cabe no peito.

O dia em que sua alma dançar dentro do seu corpo, é o dia de almejar voos sem destino por aí, neste Universo grandioso e infinito. É hora de definitivamente jogar boa parte das velhas teorias fora e passar a seguir a grandiosidade do que é sentir.

Quando sentir uma vontade de gritar e de cantar, mesmo sem o talento da música, ou quando os seus pensamentos começarem a querer te levar por caminhos nunca percorridos antes, é hora. Hora de levantar voo.

I don’t wanna wait in vain for your love… Sabe por quê? Porque não é o amor do outro, é o amor que está aqui, dentro da minha alma, um amor que está aqui pelo meu eu e por aquilo que vale muito a pena suspirar.

Que a pegada do Reggae entre algum dia em seu entendimento. Que um dia, próximo, você chegue a um ponto em que os limites mentais sejam um a um esmiuçados e que sua capacidade mental seja provada, provada, provada, lapidada, para que algum dia, brilhe em uma cadência de ritmo equilibrado que guarde espaço, infinito espaço para grandes canções de liberdade. Estou na espera por esse dia…

Que o pensamento seja como música intensa e constante… Que a alma chore, chore quantas vezes sentir necessidade de lavar-se, e que em cada limpeza, consiga enxergar com clareza a beleza de ser único que é. See? I don’t wanna…

Álvaro com cor

❤ ❤

Barasa Plutônica

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Álvaro com seus quatro anos de idade e com um universo tão gigantesco em uma imaginação às vezes tão assustadora pensa sobre o que ouve, sobre as palavras que são soltas em sua mente.

Com suas tintas, lápis de cor, giz de cera, ele tenta todos os dias reproduzir uma imagem que lhe traga uma sensação, mas que sensação seria essa? Que sensação, afinal, ele tanto buscava em suas pinturas?

As cores eram a sua obsessão, vê-las juntas era como se deparar com o oceano e debaixo d’água não saber ao certo para onde olhar.

Quando ele via aquelas cores juntas, lhe surgia um sentimento inexplicável, ele não sabia se sentia raiva, alegria, tristeza ou vontade de se esquivar. Bisteca, sua companheira vira-lata, sempre ouvia um resmungo ou outro em voz infantil  — Nã…. Não é isso!

Sempre que ele saía do banho, sua mãe lhe olhava com um brilho…

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Nós não somos classificáveis! Não mesmo

Gostaria de começar esse texto falando sobre a busca por ser quem é, mas considerando sempre melhorias, até que se chegue a um ponto, que mesmo após enxergar-se com as imperfeições humanas inerentes, consiga afirmar dentro de si: esse (a) aqui sou eu!

Que se chegue a um ponto em que agradar o outro ou pensar no que o outro vai pensar se torne a segunda parte do processo de reflexão, e que o primeiro, o sumo da reflexão, esteja em como é que você encara a si, e como você, com a sua verdade, deve encarar uma situação.

Que se chegue a um ponto em que o conceito de egoísmo seja repensado dentro do seu contexto. Você se colocar em primeiro lugar é parte da empatia, sabia disso? Você testa em si uma maneira tua de ser e de se enxergar, que vai salvar as almas que fazem parte do seu cotidiano, de pesares, como de terem de ‘aturar’ o teu fardo de ser, que é apenas seu.

Que se chegue a um ponto em que a autoimagem seja importante no sentido de que ultrapasse totalmente a percepção física, esse físico efêmero que engloba o avanço do tempo, o envelhecimento de um corpo físico, que caminhará rumo à plena debilidade e inexistência.

Você está além do seu corpo físico, está além de estatísticas, está além de classificações… Mas entenda, isso não te dá o direito de ser covarde consigo inflamando o próprio ego ou achando que o mundo é obrigado a aguentar as suas imperfeições porque ser imperfeito é parte do que é ser humano.

O ser ‘inclassificável’ ao qual me refiro, é no que diz respeito a ser único. Sabe aquela história de que todos são substituíveis? É mentira. Alguma coisa você pode fazer aqui, nesse planeta, de um jeito só seu, se você aqui não fizer o que precisa fazer, para o seu ser humano ser íntegro no que diz respeito a usar todas as capacidades que lhe foram concedidas, alguém obviamente desempenhará o seu papel, mas não como você faria, não com a sua essência.

Poderia não ser brasileira, poderia ser americana, ter nascido no norte dos Estados Unidos, poderia ter escolhido uma carreira completamente diferente por um contexto social e cultural diferente do que vivo aqui no Brasil. Mas foi aqui que nasci, nesse país maluco e ao mesmo tempo desafiador, se não fossem as dificuldades, se não fosse o contexto social e cultural ao qual pertenço, eu não teria escolhido os caminhos que escolhi. Sou quem devo ser, exatamente onde estou, e é daqui, desse lugar, desse território brasileiro que me farei ouvir. Por que me ouvirão? Porque jamais negarei as ferramentas que me foram emprestadas. Se podemos fazer algo grandioso, por que não fazer?

Quer irradiar? Irradie. Escolha. Comece. Entenda que existe uma missão. Não é para respirar somente que existimos. Não admito viver nessa Terra se não puder deixar algo aqui. Não admito viver aqui sem ser de fato. Prefiro a morte agora a não fazer aquilo que sinto que preciso fazer.

Está com muitas dificuldades em equilibrar os pensamentos? Talvez uma ajuda especializada seja o mais recomendado agora. Estou falando por experiência própria. Terapia é essencial, fundamental e não é ‘gasto à toa’ jamais. Pensar na saúde mental deve ser prioridade.

E sabe o que mais deve ser prioridade? Tentar encontrar o que te faz feliz, o que te completa, e mais do que isso, dar um passo para que algo maravilhoso comece a acontecer.

 

Quais os reais benefícios da leitura para o cérebro?

Além da capacidade de transportar o ser humano para diferentes universos, os benefícios da leitura para o cérebro são cientificamente comprovados. De acordo com matéria publicada pela revista Galileu, foram listados alguns dos principais benefícios da leitura para a saúde:

Aumento da empatia – Não importa o tipo de narrativa, um livro, independentemente de gênero, é capaz de aumentar a empatia em quem lê – essa foi uma descoberta publicada no periódico Trends  in Cognitive Sciences  – que apontou que a leitura é capaz de despertar em quem lê a compreensão sobre os sentimentos dos outros, principalmente quando ocorre envolvimento emocional com circunstâncias e personagens.

Aumenta a criatividade – Já segundo estudo publicado pelo Creativity Research Journal, foi mostrado que após o contato com uma obra de ficção, as pessoas tendem a se sentir mais encorajadas a analisarem situações sob inúmeras perspectivas, o que faz com que passem a enxergar muitas possibilidades em seu cotidiano.

Pode reduzir preconceitos – Quando um leitor aprende sobre o universo de outras pessoas e personagens, tende a vencer preconceitos enraizados em si mesmo.

Reduz o estresse – Em pesquisa publicada em 2009 pela Universidade de Sussex, foi provado que apenas seis minutos de leitura já ajudam na redução de 68% dos níveis de estresse. Participantes do estudo tiveram diminuição na frequência cardíaca e alívio na tensão muscular.

Reduz os riscos de desenvolver Alzheimer ou demência – A leitura é um poderoso estimulante mental e segundo pesquisa publicada em 2013, pelo jornal Neurology, foi provado que pessoas que leem assiduamente, após a vida adulta, têm as faculdades mentais preservadas por mais tempo.

Biblioterapia – Sabia que este é um tipo de terapia? Trata-se da indicação de leituras terapêuticas que atuam na redução do estresse e no tratamento de doenças como a depressão ou de algum desequilíbrio emocional.

Agora que você já sabe sobre os importantes benefícios da leitura para a saúde, por que não introduzir esse hábito no seu dia a dia? Escolha um livro de um tema que lhe agrade, pode ser ficção, não ficção, uma autobiografia sobre alguém que admire ou que tenha curiosidade em conhecer mais…

O escritor francês Marcel Proust diz que ‘a leitura é uma amizade’ e isso tem profunda relação com o vínculo que se cria a partir da leitura de um livro. Muitas vezes, você pode começar a ler uma obra sem qualquer pretensão, e de repente… se encanta com algum personagem, seja pelas semelhanças ou diferenças. É possível criar simpatia, empatia e até desprezo por alguns personagens. E sabe o que é mais mágico em tudo isso? É que como leitor (a), a relação que se estabelece com uma obra é única. Os personagens terão em seu imaginário características únicas, que não serão iguais às características no imaginário de outro leitor da mesma obra.

Já o autor americano Thoreau certa vez disse que ‘muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro’, e sim, dependendo da obra e do envolvimento que se estabelece, aquela mensagem ecoa dentro da alma e alguma transformação maior pode se dar no cotidiano do leitor, ainda que não perceba exatamente que foi aquele determinado livro que o inspirou. É como fazer o uso de um medicamento homeopático sem muita crença nos efeitos, e de repente, perceber alguma melhora.

Saramago acredita que ‘a leitura é, provavelmente uma outra maneira de estar em um lugar’, e claro, ao ler um livro é possível estar em qualquer lugar do mundo, há quem refute essa ideia, mas é que a viagem que se faz dentro de si é muito mais transformadora do que aquela que se faz por dentro do mundo físico, limitado.

Não importa se é um livro de ficção ou não, o mergulho que se faz é único. Em caso de livro de ficção, esteja preparado (a) para se apaixonar, para criar antipatias, para rir, chorar, irritar-se profundamente, esteja preparado para sentir. É possível compreender a alma de personagens independentemente da nacionalidade – e da tradução da obra – , porque uma narrativa ficcional reúne nuances da alma de quem escreve e comunica à alma de alguém em solidão, em qualquer parte do mundo.

Um personagem solitário em uma obra literária tem apenas uma chance de conquistar a amizade de alguém atrás das páginas de papel ou de um meio eletrônico, e se isso acontece, esse personagem passa a se comunicar fazendo brotar um anseio revolucionário na alma do leitor, sem que ele se dê conta, de que foi uma amizade que começou despretensiosamente em um livro, unido ao seu momento de deleite e solidão.

Para conhecer sobre a obra Mulher Quebrada, acesse a Chiado Books

Aqueles dos anos 1980

Aproximando-se os 31 anos de idade, e claro, as naturais reflexões sobre a vida, sobre o que já aconteceu e sobre o que estará por vir. Das muitas lembranças, as mais marcantes dos tempos de infância são: biscoitinhos em forma de ursinho de chocolate, chocolate branco com um panda na embalagem, glacê de bolo nas cores rosa e azul, vinil e todos os discos da Xuxa, cereal de arroz de chocolate do elefante, papel de carta… (Lembranças principalmente de alimentos, porque o signo é touro)

Você entende que a ‘velhice’ é um estado de alma e que quando se chega na faixa dos trinta, tem uma disposição ainda jovial (raramente no meu caso haha), mas você está legal, está caminhando… Você olha para a Sandy (cantora) e pensa: olha que lindinha que Sandy é, tão jovem ainda! Mas não é um lance físico, é algo dentro da alma, mente, na forma de ver as coisas, de pensar sobre a vida.

Você já teve tantos momentos de quebra na vida, já se refez em tantas situações adversas, aos trinta anos é resultado de uma resiliência admirável e jamais imaginada antes como resiliência, parecia que era só força, mas era mais do que isso.

Você entende que seu corpo precisa de uns cuidados que você não pensava muito quando tinha vinte anos, e claro, você só sai de casa se antes se certificar de que se sentará, porque muito tempo em pé já causa umas dores nas costas bem desagradáveis (risos).

Você se lembra de Friends, principalmente do episódio ‘Aquele em que todos fazem trinta’, no meu caso, a identificação é maior com Rachel, pelo estado de depressão antes do aniversário e por questões dela pessoais vividas naquele contexto, como um relacionamento com um cara totalmente nada a ver com os ideais dela naquele momento (no meu caso, a identificação é maior com o estado de depressão).

Mas é curioso, porque ao ir para os trinta anos (sim, ir), houve uma perda de controle (entrei em leve parafuso), mas depois que passa, é como avançar de fase em videogame, e você nem se lembra mais daquela fase chatinha anterior e pensa: ‘nossa, olha que fase mais legal essa, muito mais emoção’. Sim, muito mais emoção. Você tem uma sensação importante de ‘tenho pouco tempo’, e aí se joga de uma maneira muito mais incisiva na vida, sem tempo para muitos rodeios. Você vai, se não sabia manejar bem as armas, agora não tem tempo para aprender, mas precisa manejar as armas. (metáforas um pouco estranhas, eu sei)

Tenho ouvido com muita frequência Waiting in Vain de Bob Marley e cantarolo sempre, ao lavar roupas, louça, banheiro, ou quando estou andando nos corredores do mercado e de repente sou surpreendida por alguém com riso contido imaginando que sou um pouco maluca. Eu não quero esperar em vão acredito que é o trecho que mais deve chamar minha atenção, e no geral, esperar em relação aos sonhos, projetos, claro que é essencial, mas há muitas coisas que esperamos em vão, e esse esperar precisa ser abolido, é legal deixar a vida ser a imprevisível que é, é legal deixar o universo ser maior (e ele não precisa de permissão para nada), é legal ser vulnerável, é legal não esperar nada e permitir a vida ser estupenda como é.

Eu não tenho a maturidade que gostaria de ter, prefiro inverter a ordem das velas e deixar o 13 transparecer em um brinde aos tempos em que ouvir Nirvana e Aerosmith me faziam já pensar na vida, no que seria, e enfim, 18 anos depois, percebo que aquela adolescente conseguiu muitas coisas, bem mais do que ela imaginaria. E falo sobre coisas na alma, na mente, conquistadas dentro de si, como tesouros tão valiosos, que me fazem agradecer todos os dias a Deus pela vida, mesmo com todas as adversidades que vêm como ondas em vários momentos da jornada.

Que o mundo seja mais belo! E não perdi jamais aquela esperança de revolução apesar de todos os pesares. Não acho que uma andorinha sozinha não faz verão, se as outras não quiserem seguir o caminho habitual, uma única pode muito bem fazer valer o presságio de dias mais harmoniosos e confortáveis.

 

 

 

A coragem que viver exige

Me chame pelo seu nome… Não serei fraca quando isso acontecer, estarei vulnerável, estarei completamente desarmada, mas isso será apenas sinal de que a minha alma está plena no corpo.

“Nós arrancamos tanto de nós mesmos para curar as coisas mais depressa, que ficamos esgotados perto dos 30 anos, e temos menos a oferecer cada vez que começamos algo com alguém novo” – essa á uma fala do diálogo dilacerador entre pai e filho no filme Call me by your name… Esse foi o bálsamo mais precioso de que minha alma necessitava nos últimos anos.

Como a coragem é necessária, como viver demanda coragem, demanda fôlego, demanda luta interior, demanda loucura… A beleza está neste processo sem fórmula, nesta vida sem qualquer ensaio, nesta luta contra o medo, o grande opositor do amor.

Oliver no filme, não teve a coragem em viver aquele amor tão único com Elio, e arrancou muito de si para ‘curar’ aquela sensação perturbadora de amar e não se sentir corajoso o bastante para viver o sentimento. Me chame pelo seu nome e eu te chamarei pelo meu… O reconhecimento de si no outro, tão vulnerável, tão corajoso e tão libertador… Sou Oliver até então. E ao mesmo tempo estou na alma de Elio, tentando entender, ressignificar e procurando não morrer.

A vida é um sopro e pensar em como nos esquivamos da vida em muitos momentos é tão louco que sequer consigo expressar como acredito que deveria por meio da escrita. O amor é a razão essencial de toda a vida e é dele que me esquivei por tantos anos tentando me livrar da minha vulnerabilidade ou acreditando que estar vulnerável era como uma espécie de doença que precisava ser curada o mais rapidamente.

Dilacerador… Dilacerador é se esquivar de si e da razão pela qual se existe: o amor!