A coragem que viver exige

Me chame pelo seu nome… Não serei fraca quando isso acontecer, estarei vulnerável, estarei completamente desarmada, mas isso será apenas sinal de que a minha alma está plena no corpo.

“Nós arrancamos tanto de nós mesmos para curar as coisas mais depressa, que ficamos esgotados perto dos 30 anos, e temos menos a oferecer cada vez que começamos algo com alguém novo” – essa á uma fala do diálogo dilacerador entre pai e filho no filme Call me by your name… Esse foi o bálsamo mais precioso de que minha alma necessitava nos últimos anos.

Como a coragem é necessária, como viver demanda coragem, demanda fôlego, demanda luta interior, demanda loucura… A beleza está neste processo sem fórmula, nesta vida sem qualquer ensaio, nesta luta contra o medo, o grande opositor do amor.

Oliver no filme, não teve a coragem em viver aquele amor tão único com Elio, e arrancou muito de si para ‘curar’ aquela sensação perturbadora de amar e não se sentir corajoso o bastante para viver o sentimento. Me chame pelo seu nome e eu te chamarei pelo meu… O reconhecimento de si no outro, tão vulnerável, tão corajoso e tão libertador… Sou Oliver até então. E ao mesmo tempo estou na alma de Elio, tentando entender, ressignificar e procurando não morrer.

A vida é um sopro e pensar em como nos esquivamos da vida em muitos momentos é tão louco que sequer consigo expressar como acredito que deveria por meio da escrita. O amor é a razão essencial de toda a vida e é dele que me esquivei por tantos anos tentando me livrar da minha vulnerabilidade ou acreditando que estar vulnerável era como uma espécie de doença que precisava ser curada o mais rapidamente.

Dilacerador… Dilacerador é se esquivar de si e da razão pela qual se existe: o amor!